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sábado, 20 de junho de 2020

Nunca mais, nunca mais


Nunca mais, nunca mais.
Nunca mais
Atrevi-me dizer que te amo.

Seguro a voz na ponta da língua
Já por entre os dentes escapando.
E engulo de volta, a seco, as palavras.
Também desfaço dos olhos o brilho tirano.

O que escapa é vento, brisa morna
Que move levemente os ramos.
Não faz nenhum mal,
Jamais este amor lhe causaria algum dano.

Amor não faz mal a ninguém, garanto.
Nenhum estrago intencional;
Se o fizer é por engano.

Nunca mais me atrevo dizer que te amo. Nunca mais.
Agarro pelas costas as palavras
Que por brechas vão escapando
E lhes mostro outro caminho, amargo
Pelo qual, inocentes, vão se afogando.

Nunca mais direi...
A não ser que você peça,
Nunca mais vou dizer que te amo.

Represo assim este rio.
O que retenho é lava,
Liquido de amor que flui borbulhando.
Devia ser frescor para o mundo, mas
O mundo e você tem outros planos.

Em mim, volta à magma e desce queimando
Destruindo tudo; exceto
Este secular desejo de vida
Acordado há poucos anos.

Portanto a este amor engulo
Para não vomita-lo, de novo,
Ao desengano.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Se joga!

Percebendo que eu estava triste e pensativo, ela disse:
_ Se joga, menino! _ disse e sorriu.
Não vou falar do sorriso dela nesse momento. Não agora. Mas não resisto à tentação de antecipar que, alegre ou triste, é o que existe de mais encantador nesse mundo. Mas vamos aos fatos.
O que fica nas sombras, por detrás das palavras ou detrás no silêncio dos gestos, pode mudar nossas vidas se for interpretado corretamente em tempo hábil. Mas a verdade esbarra na barreira do silêncio das palavras.
"Se joga!", ela disse.
Se bem que eu acho que não foi só isso...
Malditos códigos! As mulheres têm mania de falar claramente por meio de códigos. Não é sim, quero não quero,  amo não amo. Às vezes é o que é o que se diz ser.
Eu estava enfeitiçado por aquele sorriso. Como sempre, eu estava encantado. Eu já o adverti mil vezes: "Raimundo, Raimundo, não a encare! Não olhe nos olhos dela! Não repare no sorriso! Desvie o olhar.  Fuja!". Mas não tem jeito. E fugir pra onde? Como? Diante de tanta beleza!? Eu já tentei antes. Fugi uma vez. E o que aconteceu? Alguma coisa ficou me espetando o coração e a minha memória ficou me cobrando por não alimentá-la com todos os detalhes daquele corpo e a lembrança daquele brilho no olhar espargindo alegria. Ainda hoje me dói aqui ó!  Cá pra nós, eu choro.
"Se joga,  menino!”, ela disse.
Mas teve um complemento aí.  Eu sei que teve. O problema é que eu a olhei nos olhos e ela sorriu. Isso me desmonta. Bem... Ah! Já sei!  Eu me lembro agora. Quando ela se levantou pra ir fazer sei lá o que,  eu a observava como sempre;  então, ao passar diante da minha mesa piscadinha de olho, delicadamente, e disse:
_ Se joga, menino! _ sorriu e depois completou: _ Se joga pra vida. Não pense; se joga!
Foi isso.
Ela era a vida.
Ela já havia me dito isso antes. Não fazia muito tempo não. Mas as mulheres têm um método diferente pra contar o tempo. Contam o tempo como se vivessem na Terra do Nunca. Eu nunca fui lá. "Se joga, menino!", ela disse. Depois me chamou pra sair. Conhecer a família; sabe? Fiquei louco de alegria. Mas não fui. Ela usava aliança e se casaria em poucos dias. E eu já estava apaixonado.
Naquela época eu achei que não suportaria vê-la com outro toda a noite de festa. Eu passei a noite toda sozinho. A família havia viajado. Por certo estavam bem porque não me mandaram nem uma mensagem sequer. Eu apaguei as luzes e fiquei no escuro, ouvindo música clássica na maior altura. Era pra abafar o ruído dos fogos. Depois faltou energia. Aqui sempre falta energia. Ah! Eu fiz um poema: 
Noite de festa,
Estou só.
Todos viajaram.
Sol, mar, água de coco, mulheres, gente...
Por certo estão bem, ninguém se lembrou de mim.
O mesmo se repetiu na passagem de ano. Mas aí eu resumi o poema:
"Por certo estão bem, não se lembraram de mim.", diz tudo né?
Por isso esse ano eu jurei: "Vou ficar com ela!"
Então quando ela sorriu pra mim eu também sorri pra ela e ficamos de frente, olho no olho. E que engraçado,  ela disse de novo: "Se joga,  menino!  Não pensa muito não."
Conversamos. Ela é incrível...

Mas as palavras, agora,  tinham outro sentido. O que eu sinto não, não mudou nada. É amor.

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sábado, 26 de novembro de 2016

Tentando entender o mundo

Pra quê, pergunto eu, diante da questão aberta.
O mundo não muda.
O mundo é feio de pessoas.
Pessoas não mudam.
Nem mesmo com o poder divino dado à pessoa santa ou pessoa certa.
Mudar é transfigurar-se ou reconstituir-se.
Isso talvez doa, pois depende de mudar primeiro a si mesmo,
Pessoa por pessoa.
Mas não se muda o mundo senão pela boa vontade de todas as pessoas.
Tentar entender o mundo, por que?, bobo.
Apenas leia-o.
Observe-o e leia.
Leia-o como se o fizesse a toa.
Desde que o mundo é mundo se pensa no mundo.
E se pensa no mundo somente porque o muno é mundo,
E porque o homem é parte do mundo
E nem todo mundo cabe no mundo
Porque poucos são os que governam o mundo
Nenhuma Maria nem José,
Muito menos Raimundo.
O mundo pertence aos piratas
E estes vivem noutros mundo.
No inicio só existia o vazio
E no vazio silêncio
E do silêncio nasce a consciência
E da consciência a poesia
E a poesia tornara-se luz
E esta em sentimentos
Enfim vida, amor.
Mas o homem sufoca a tudo isso com o egoísmo.
Pela fé ou pela ambição, da na mesma, o caminho é o do hedonismo. Sempre pelo prazer carnal no corpo do fascismo.
O discurso pessimista de um pensamento não cala o homem, mas também não se dá por questão fechada. O pensamento impera por si mesmo se bem ou mal educado.
O homem sempre reluta em achar saída no escuro quando a luz é apagada. Na dor é assim e também o é no amor em pleno esplendor da sua alvorada. Entender pra quê? A vida segue alheia, indiferente a questões pensadas.

Posso entender a loucura de quem ama, mas não posso entender a obcessão dos egoístas.
Também, por mais que eu tente, não consigo entender a indiferença por quem ama manifesta por parte daquele que é amado.
Posso entender o desespero por nada ter de tudo que se quer muito, mas não posso entender o obsessivo desejo de ter aquilo que a outro pertence por direito.
A propósito, o amor que alguém sente não é direito senti-lo por quem quer que seja? Ou amar é virtude e também defeito?
O que do que sinto me pertence? O que do amor é meu?
O que de mim sou eu?
Eu entendo a mulher que se atirou da janela.
_ o marido era político? Não!?_,
Consciente do que era, nada, atirou tudo ao chão.
Há muito já estava morta a alma, apenas o corpo se espatifou no chão.
Também o fez a mulher do crápula e a amante do santo.
Muitos preferem o nada ser em meio a igual multidão.
Eu entendo o que se entorpece de drogas.
Eu entendo o que ri sem motivo de graça.
Eu entendo o que ri da própria desgraça,
Eu entendo o humorista,
O que passa a vender flores,
O que tenta cultivá-las;
Eu entendo o palhaço.
O que, por caridade, distribui abraços.
Eu entendo o bêbado, não o boêmio.
Eu entendo bem aquele que reclama da sorte
_ dependendo de como ele faz seu compêndio _,
Também entendo àquele que diz que ter um amor é um grandioso prêmio. Entendo sua inocência e falta de senso.
Entendo aquela que não acredita mais no amor, não porque não acredita, porque sei que na verdade ela perdera a esperança. Isso torna a conquista, para o amor de amanhã, num desafio maior.
O amor não tem vida fácil, principalmente se desiludido foi a pessoa qual ele ama.
E que graça teria viver o amor só descanso e cama?
Posso entendê-los a todos, mas não me entendo nem perdoo se me flagro sendo igual. O que torna uma alma especial é ela ser igualmente propensa aos erros e acertos das demais e, contudo, resistir, mesmo que doa não trair a própria consciência.
Se Deus fez tudo do nada e o deu de presente ao homem, por que o homem a tudo quer transformar em nada e devolvê-lo a Deus novamente vazio? Ademais e, porém, vazio e estragado.
Posso entender a tudo e a todos, sem exceção, menos o descaso.
Por isso entendo a ira de um deus bondoso zangado.
Posso entender o comportamento estranho de inércia física e a incessante luta mental no tudo querer e tanto sonhar e nada ter.
Entendo até os que se matam. Também os que se perdem na loucura e cometem crimes bárbaros. A vida é bárbara quando não existe harmonia; quando não existe a troca de gentilezas e a disposição para o abraço. Mas a vida também é bárbara, por excelência, pela comunhão da amizade na luta por mais espaço.
Entendo a todos. Até aos que não me entendem eu os entendo.
Só não entendo o eu que a mim me desdenha e condena tão fraco.

Até mesmo a fraqueza comum, a aparente inércia ou falta de atitude em prol do que sinto é condenável, porque eu sei de cor como devo agir, entanto, me reprimo acovardado.
Todavia, é natural que assim me atenha diante da espantosa beleza que tem o frágil ser semelhante amado.
E não oferecer ao amor abrangente solicitude é pecado mortal; por isso me sinto condenado à morte lenta do viver contemplando a vida sendo eu no amor imortal.
Beba da taça e deguste o vinho sem refletir. É assim que se vive. Só assim se é feliz.
“Sorria!” o anúncio diz.
O olhar das câmeras ainda não distingue o movimento da alma sã de uma penada.
O dia é de sol e penumbra.
No trabalho, entre os dissabores do ofício alguns caprichos do amor. Palavras.
Rimos, sim, da desgraça alheia. Ninguém é perfeito. Todos os dias, a toda hora, rimos. É que a maturidade do homem acaba refletindo nos seus sentimentos. E quanto mais o homem se perde ainda mais ele ri. O homem feliz, então, já se tornara alheio.
No amor também é assim, navega-se ansioso, porém, seguimos inconscientemente tranquilos nas ondas agitadas de um mar desconhecido. A pessoa amada peca por omissão.
Ela saberá disso? Acho que sim. Ela entende das leis.
Tento ler os jornais.
A previsão do tempo é instável.
Ignoro o horóscopo, mas não o repudio.
Tudo parece imprevisível.
Mas nota-se que tudo é previsível dentro de toda a previsibilidade.
Os holofotes se movimentam. As luzes caem sempre nos mesmos pontos obscuros, neutros, sem transparência e má claridade.
A realidade vivida é um ponto cego no tempo?
Sim, responde um pensamento, apenas para satisfazer o ego.
O Brasil está em protesto.
O mundo está em protesto.
Pelo o que protestam?
Cuba protesta.
Pelo que protestam?
Ai, meu Deus, é muito protesto!
As formigas protestam.
As abelhas estão em protesto.
As borboletas da minha rua estão em protesto;
Os pássaros também estão.
Os pombos, os beija-flores, as mariposas, as libélulas, os mosquitos...
_ o Aedes Aegypti não _,
Mas as joaninhas desapareceram.
Os pardais sumiram. Foram embora?
As mulheres do meu tempo, as musas, se foram...
A todos eles eu entendo;
A eles sim, eu os perdoo.
O sentido da nossa permanência não é o jardim, são as flores e frutos e o que deles está por vir.
Tudo está se acabando, por isso os entendo perdoo.
Mas ao homem eu não o perdoo.
Enquanto observador eu lerei as pessoas e ao mundo.
E quando eu não for mais gente, humano, vingarei com a minha ausência de alma humana.
Todavia, ausência não significa silêncio.
Do jardim que cultivamos nada restará, nem flores nem espinhos.

De humano talvez restem palavras.
Algumas palavras.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Trecho de um poema pra acordar os mortos

Tudo que me lembro, de antes,
é de ter me esquecido de tudo.

Como se houvera parado o tempo
Naquele instante de breve silêncio
que sutilmente nos tocamos.
Acho que Deus estava presente;
pois havia uma energia incomum,
um calor estranho, ardente, intenso,
queimando, correndo nas minhas veias;

E algo me deixou suspenso, leve,
Como aranha flutuando, presa
num só fio da sua teia.
Feche os olhos, meu amor, feche os olhos
Ignore meu gemido
pense que vem do mar essa onda, esse perfume,
Esse ar umedecido.
Deixe escorregar pela face meus lábios sedentos
deixe-os beijar
beijos agora soltos
fazer carinhos afoitos
ou em total desalento.
Deixe minhas mãos abrir caminho devagar
decorando percursos e o momento
E os dedos vagarem por orifícios
descobrir fontes de pensamentos.
Feche os olhos, meu amor, feche os olhos.
Esqueça meu gemido
Esse suspiro cortado;
É o cheiro inebriante do teu perfume oculto,
agora revelado.
Agora, muito mais que antes, é teu
somente teu o meu amor,
amante eterno e apaixonado...

O homem e o homem

O homem tornou-se inimigo do homem,
fez do mundo a arena do jogo do vale-tudo.
Tiram a todos a paz,
tentam tomar-lhe tudo:
água, o ar, e o pão...

Esconderam com manto cinza o céu;
desviam as chuvas, cobrem nascentes, tiram-nos o chão;

O bem se tornara mal, e o mal se tornara bem.
Já nem mesmo descanso de morte, por bem, lhe é direito;
Sete palmos de terra não mais se têm.

E por falar em pão
_ pão e vida, vida e pão _,
o homem, coitado, ao homem, no seu ganha-pão,
arranca-lhe o couro e lhe fura os olhos
por apego ao ofício, pela sustentação;
por puro prazer, ou por ambição.

Quando não é corrente é chicote,
senão os dois, é descarte,
extermínio, ou exclusão.

E sem trabalho não se pode ter teto
_ que dirá sonhos !_,
arroz e feijão;
só lhe resta a morte certeira
e a incerteza de ressurreição.

Pena que o homem limite ao homem o movimento à perfeição.
O que não e comprado é plágio,
_ plágio do plágio roubado _,
arte beleza-feia,
condenada à destruição.

domingo, 30 de outubro de 2016

Provocações


domingo, 17 de janeiro de 2016

Domingo



O mundo é grande mas hoje não tinha lugar pra mim.
Fui para a rua andar.
Procurei um amigo...
Onde estão meus amigos?
Quem são?

Árvores altas de densa folhagem circundam a praça.
Seus galhos longos e flexíveis se entrelaçam uma à outra e dançam ao ritmo do vento que brinca alternando o compasso.

O baixo canteiro é vão aberto e estreito, com pequenos arbustos e cercado por baixas paredes retilíneas de pedras chatas, claras e escuras, e na ramagem abelhas voejam.

Os pombos catam coisas quase invisíveis, arrulham, dançam, trepam, e novamente dançam e se coçam se atacam; abrem asas e transam. 
Toda essa atitude certamente é um ritual de amor.

Formiguinhas passeiam, param e se cumprimentam, mas pouco se falam, e seguem como que procurando algum tesouro.

Maracanãs. 
Três crianças brincam com seus cães; o velho batuca nas pernas; o casal com filhinho de colo para à sombra e discutem e se ofendem, no olhar agressivo não há sinais de ternura...

Um homem chega e espera desconfiado e impaciente. Mas logo surge um garoto forte saudável e bonito. Eles sorriem, se abraçam, brincam, jogam palitinho e o pequeno deita em seu colo e fecha os olhos ao receber cafuné. 
De longe alguém espia, é mulher.

Como saber se o que parece certo é o melhor?

O vento corre em círculo, chega por onde estou, entra e  segue sempre da direita para a esquerda. As minúsculas folhas verdes ditam o tom e as adjacentes ramagens respondem num grave mediano e vai ao agudo suave...
E quando o vento fecha o círculo, as minúsculas folhas verdes encerram a toada. 
Dir-se-ia o poeta mineiro, uma singela sinfonia.

A dança parece uma quadrilha e a toada são versos declamados entre sussurros e suspiros. Ou talvez lamentos e gemidos... queixas.

Eu os invejo _ os pombos _, liberdade de ser e amar. Trepam livremente; e dançam.
E a árvore  me reprime atirando frutos secos em mim.
Ergo a cabeça e por uma fresta daquele vaivém dos galhos vejo a lua branca acinzentada como uma pequena fatia de nuvem perdida.

Eu vi a lua em pleno dia por entre as folhas dos arvoredos...
E é verão.
Mas hoje tem sol, tem sombra e tem vento.
As flores são minúsculas, pérolas azuis e amarelas na relva onde os marimbondos e joaninhas se divertem.

Hoje o dia é de um frescor divino.
O que eu mais posso querer?
Na verdade eu queria mais uma flor, a flor ..., aqui comigo.
Mas o mundo, a natureza, a vida já fora generosa demais para comigo.

O pé de ameixa acomoda as ramas de maracujá e se mostra vaidosa ostentando frutos alheios como fossem enormes brincos verde-brilhantes.

Sinto sede. Em locais públicos não se encontra água nem para gente nem para bichos. 
_ Caberia uma lei, penso.
Já sinto frio...
Melhor movimentar-me. Saio.
Ando ao sol.

Na outra praça, muitas crianças, idosos, casais de namorados e traficantes.
O olfato capta erva proibida.
A criança cai, é valente, o pai tira as rodinhas. A mãe briga.
As mães solteiras parecem ser mais felizes.
Namorado de mãe solteira é mais atencioso e demonstra carinho...
Travestis são ousados.
Eu perco a poesia.


O vento cessa e se faz brisa. É quando posso ouvir o zunir das abelhas e o cricrilar selvagem na minha cabeça.
Mas a natureza é generosa e ordena ao maestro que recomece o concerto.

Eu saio.
Dezoito horas, deve ter finda a visita.
Atravesso a rua atento ao perigo. Ando, ando, ando... caminho mergulhado em fantasias.

O mundo é grande mas hoje não tinha lugar pra mim.
Fui para a rua andar;
Caminhei, caminhei, 
Nem sequer por um instante estive sozinho.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Nasceu!!!

728X90:

Enfim é chegada a hora
A tão esperada hora
A hora da graça
A boa hora
A hora da luz.
Acabara de nascer _ o filho do tempo _, é lindo.

Faltou-lhe fôlego, brevemente,
Mas agora está tudo bem.
Inspirou e respirou
Suspirou fundo
Chorou.
E ao abrir os olhos sorriu pasmo.
Ai, houve uma explosão de alegria.

As luzes cegam no primeiro instante, isso é natural, é assim para com todos até que...
Até que se envelheça e se aposente do ofício da contabilidade.
No entanto permanecerá para a eternidade seus feitos e os efeitos, somando-se aos demais. Portanto, permanecerá sendo contabilizado.

O destino é o que é, e quando eterno é eterno e inalterável.
Mas com o passar do tempo cresce algo como dedos e eles se alongam _ é para acariciar e seduzir as almas _ para assediá-las _ e as pega por trás a cada momento de glória ou vacilo.

Esses longos dedos nascem de um único instante chamado segundo.
E esse instante se multiplica em segundos, e se desdobra em horas, e se faz dia.
Mas este também se multiplica, diversifica de tanto se repeitir, contabilizando em conjuntos de sete; e de sete em sete se faz conjuntos diversos que tornam mêses e, no primeiro aniversário, morre.
Morre para atividades vulgares, entretanto, continua vivo, útil, necessário, essencial para a renovação.
Mas, na verdade, tudo nåo passa de um. Um instante de segundo.
A eterna existência está atrelada ao primeiro instante.
E toda a natureza é acondicionada à inspiração do instante.
Louco, né?!

O tempo não tem forma, não tem idade, não envelhece, não tem movimento...
O tempo não existe. O que existe é o instante, aquele momento. O instante de luz que se repete.
Por isso, meus caros, respire. Este instante é único e é o teu momento. Viva!

Pode ser que não seja este momento de glória nem de paz, mas é um instante de luz, porque a vida é o mágico instante, a luz que não se apaga.

Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Teu Olhar-felicidade

 Poetray
De Sol, Poesia & dor
No amor o coração é quem determina o rítmo.

No olhar neutro encontrei poesia implícita,
_ resposta por uma vida inteira procurada _;
E na tua imparcialidade a nitidez do sentido
Responde ao ontem e hoje o que é felicidade.

Amanhã _ destino quem sabe presente _, prevalecerá d’outrora o agora respondido;
Isto posto, agora definido, agora,
Teu olhar felicidade.

Tardia descoberta.
Tão óbvio, tão evidente, tão lógico o sentido; 
Contudo, até então ignorado;
O que mais poderia ser, senão o teu olhar, felicidade?

Diante de ti, mirando teus olhos, foi que senti pela primeira vez minh'alma flutuar entre estrelas. Mergulhei em ti ao som de harpas angelicais. E na profundidade dessa esfera me regenerei.
E tanto prazer cega-me.
Meu universo, teus olhos, teu corpo, capturou-me e se fechara em globo com luzes e sons e se expande causando-me estranho deleite.
Aprisionado assim quisera ficar; e pra sempre, cativo dentro de ti, e tu prisioneira de mim.

O amor sincero é egoísta; quer o amor só pra si, a seu lado.
E se do contrário fosse, sincero não seria, amor não seria.
O amor, amor não seria.
Não, não seria amor a verdade do teu e do meu olhar-Felicidade.

Tão óbvio, o amor cega-me.
Tão ilógico o sentido se antes imaginado...
Cego,
Tão cego ignoro o elo dourado em teu dedo. Ofusca-me.
Como pode um homem...

Embora incapaz de entender, respeito a aliança. Seria insensatez ousar julgar um coração quando se é ineficiente para atender aos apelos do próprio coração se este insiste em competir com a razão.
_ Será que ela entenderia isso? _ indaga-me a consciência.
Entenderias tu?

Hoje, tinha folhas pelo chão, luzes nas árvores, estrelas artificiais... Cores vivas, reluzentes, por toda parte. Meu espírito voara para junto de ti e, seguro de não julgar e ser julgado, confesso a ti o meu amor. E digo sem hesitar: "eu te amo".

Não vi anjos _ eu queria anjos; 
Nem ouvi sinos e violinos_ eu queria muito ouvir sinos.
Mas ouvi grilos e o tilintar do triângulo da orquestra desafinada do palco escurecido.
Encenei. Não havia plateia. 
Encenei sem viv'alma sequer disposta a aplaudir-me _ exceto os fantasmas fieis, os de sempre, que vivem comigo. 
Mas eu queria palmas, aplausos, gritos, assobios, risos ou vaias!... Gente.
Eu queria gente, mesmo que fosse em mim...
Mas o que sou eu quando nada ou ninguém?

La fora, aqui, em algum lugar na extremidade do cérebro insano, uma fila de palavras famintas, perdidas, ansiosas por forma, à espera, perdidas se engalfinham  aflitas, esperançosas de ganharem sentido. O que mais que pode almejar uma palavra?
As palavras querem sentido. Poucas palavras têm em si, sozinhas, algum sentido...
Eu queria sentido. Eu queria gente, já que jamais consegui ser verbo ou simples palavra.

Agora, entanto, quero amor: teu olhar-felicidade.
Felicidade, esse é o caminho que tem que ser percorrido...

Ho, ho, ho! Ho!... É hora dos fogos...

Mas não ouço sinos!... Nem violinos...
E teu olhar ainda vago.

(Inspirado pela presença de L.S _ 24/12/2015 23:48:16)

sábado, 28 de novembro de 2015

domingo, 23 de agosto de 2015

Em vao


Procura palavras no teto:
argumento
explicação
o que é metafísica;
inventa:
inamar, rehumanização, almica...
Teorias.
Em vão, tudo faz sentido
Em vão
para a mente abarrotada de vazio.
Tudo vão
Fica.
O homem da pauta é sujo.



Longo o percurso
O caminhar lento
Há muitas vias
muitos embaraços ao longo da escuridão do próprio espaço-tempo.
Tão tênue céu
O sol nunca se põe.

Leva consigo todos os pertences
São teus.
Herança do que nunca tive.
Meus bens são neutros
Valem o mesmo que um suspiro.

No outdoor 
O pombo pousa
Arrulha
E numa dança cômica caga na face política.
Bom ser pássaro
A lei é ser livre.

"Ora! respeitem meu barulho!".
Não façam silêncio
Aplaudam.

Bêbado
Amou de menos
Certamente
Bebeu veneno, querer tanto.
Atravessa a rua
Canta lamento
Samba.

Ir pra onde?
Do lado oposto sempre
Há saída.

No espelho
A fisionomia transfigurada
Traços rústicos
Estranho relógio
O tempo,
Se ama sabe o que sente.
Porém, 
No espelho oculto
A mente
Sempre jovem
Homem
Semente.



domingo, 16 de agosto de 2015

Eu quero acreditar




Dizem que depois da tempestade vem a calmaria;
Eu quero acreditar, mas a vida é de uma turbulência que parece nunca ter fim.

Dizem que o céu é de verdade, Deus é justo e o paraíso existe;
Eu quero acreditar, mas os que sempre detêm o poder são obreiros satânicos, e a injustiça tem sido soberana, e o acesso ao paraíso me parece cada dia mais improvável e distante.

Será que no final seremos felizes? Quando?
Depois do nada que somos o mais seremos?
Podemos ser nada sem consciência do fomos e do que somos?
Depois de tornar-me pó o que me importa a vida?
Eu já a vivi, bem ou mal, sou passado.

Somos todos heróis medíocres;
_ Heróis porque vivemos _, sobrevivemos.
Á custa do que sobrevivemos, ainda?
Títulos, estrelas, licenças...
Doutores da morte.

Após tantas e tantas tragédias a vida ainda é vida, continua.
Insistentemente a vida continua; como que por vingança d’algum deus, continua.

Ah, você tem propósito!
Existe algo melhor do que o propósito de viver?
Então por que não conseguimos compartilhar o respeito desse direito de todos?
Ah, somos humanos?!
Eu quero acreditar.

Mas eu simplesmente não consigo!


sábado, 21 de março de 2015

Quero



Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.

Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.

Se não me disseres urgente repetido

Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Eu decidi mudar e sofri muito com isso


Eu decidi mudar e sofri muito com isso.
No primeiro dia acordei mais cedo.
Rezei ainda na cama, porque pensei que Deus merece exclusividade.
Tomei meu café da manhã sentado à mesa.
Andei na ponta dos pés até ao quarto das crianças e fiquei um tempo, ali, as admirando.
Sangue do meu sangue...
Dei um beijo na esposa e desejei a ela bom dia, embora a gente tivesse brigado.
Estava decidido a mudar, então, dali por diante tudo deveria ser diferente.

Surpreendi meu vizinho ao parar e cumprimentá-lo com um sorriso e um aperto de mão.
Sua esposa _ que acha que sou metido _, sorriu ao meu gesto cavalheiro.
O Rex, seu vira-lata, não latiu, apenas abanou o rabo.
O gato branco e preto, garboso, não desceu do muro.
O colibri permaneceu com a língua comprida enfiada dentro da flor vermelha.
Percebi que havia flores nesse jardim.
E se eu posso oferecer flores, por que oferecer espinhos?
E se espinhos forem necessários, que seja,
Que se vá espinhos, mas sempre junto com flores.

Cheguei ao trabalho distribuindo sorrisos e cumprimentos.
Utilizei como nunca a ferramenta gentileza.
Elogiei o trabalho dos meus companheiros
_ e os elogios eram justos _
Agradeci-lhes pela disponibilidade
E tive um prazer que há muito não sentia ao cumprir meu ofício;
Tanto que, no fim do dia nem sentia o costumeiro cansaço.

De volta pra casa ainda estava disposto.
Brinquei com as crianças;
Dialoguei com a mulher e entendi a esposa,
Mas ainda tinha dúvidas quanto a quem era quem naquele momento.
E vi que embora ainda nos amássemos, meu coração já pertencia à outra.
Mas isso eu não admiti, a covardia comum aos homens ainda prevalecia.
Ninguém muda, assim completamente, em apenas um dia.

Falei com Deus antes de dormir e tive bons sonhos.
E Deus me mostrou que em nada eu havia mudado
Mas que, sim, eu estava voltando ao que devia ser;
O que era antes.

No dia seguinte eu daria um passo importante:
Arriscaria andar do outro lado da rua.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Agora eu sei

Bom, agora eu sei
porque tive sobre mim os afagos das mãos da esperança
e a luz do sol clareando os caminhos.
Agora sei
porque fui levado pela inocência a apanhar flores entre espinhos...

Porque vivi os dias mais belos na companhia de uma amiga maravilhosa
_ uma mulher linda _ que tem generosidade nas atitudes e no olhar.
Eu vivia, embora não soubesse, junto à felicidade
sob olhar luminoso de um sol cálido
que tem o sorriso como um frescor de brisa.

Agora sei o que é o amor.
E conheço do amor todos os sentidos
embora não tenha dele o fruto colhido
tampouco tenha do seu perfume usufruído
e do sabor exótico provado, divinal...
Contudo, exultou-me a vida conhecê-lo.
E ainda meu olhar e meu coração jubilam-se ao vê-lo. 
Fruto temporã
que desde a infância cobiço e minhas mãos não alcançam
que tão cedo amadureceu e tão tarde se me apresentou sua forma, sua cor, seu perfume...
e ocultou-me cruelmente o conhecer na amplitude sua beleza...
e o conceber a concepção aos sentidos toda percepção do seu sabor.

Agora crescido, engenheiro estrategista, ainda cobiço
o fruto da árvore amor;
e ainda tão debilitado e ingênuo sou
quanto a antiga criança
o velho homem, criança que errou.

Agora sei que o amor é a inocência que doma o homem;
é a caça que aprisiona o caçador.

Agora sei:
o sol é mais perfeito que o arco-íris

porque é magnífico e constante.