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sábado, 26 de novembro de 2016

Tentando entender o mundo

Pra quê, pergunto eu, diante da questão aberta.
O mundo não muda.
O mundo é feio de pessoas.
Pessoas não mudam.
Nem mesmo com o poder divino dado à pessoa santa ou pessoa certa.
Mudar é transfigurar-se ou reconstituir-se.
Isso talvez doa, pois depende de mudar primeiro a si mesmo,
Pessoa por pessoa.
Mas não se muda o mundo senão pela boa vontade de todas as pessoas.
Tentar entender o mundo, por que?, bobo.
Apenas leia-o.
Observe-o e leia.
Leia-o como se o fizesse a toa.
Desde que o mundo é mundo se pensa no mundo.
E se pensa no mundo somente porque o muno é mundo,
E porque o homem é parte do mundo
E nem todo mundo cabe no mundo
Porque poucos são os que governam o mundo
Nenhuma Maria nem José,
Muito menos Raimundo.
O mundo pertence aos piratas
E estes vivem noutros mundo.
No inicio só existia o vazio
E no vazio silêncio
E do silêncio nasce a consciência
E da consciência a poesia
E a poesia tornara-se luz
E esta em sentimentos
Enfim vida, amor.
Mas o homem sufoca a tudo isso com o egoísmo.
Pela fé ou pela ambição, da na mesma, o caminho é o do hedonismo. Sempre pelo prazer carnal no corpo do fascismo.
O discurso pessimista de um pensamento não cala o homem, mas também não se dá por questão fechada. O pensamento impera por si mesmo se bem ou mal educado.
O homem sempre reluta em achar saída no escuro quando a luz é apagada. Na dor é assim e também o é no amor em pleno esplendor da sua alvorada. Entender pra quê? A vida segue alheia, indiferente a questões pensadas.

Posso entender a loucura de quem ama, mas não posso entender a obcessão dos egoístas.
Também, por mais que eu tente, não consigo entender a indiferença por quem ama manifesta por parte daquele que é amado.
Posso entender o desespero por nada ter de tudo que se quer muito, mas não posso entender o obsessivo desejo de ter aquilo que a outro pertence por direito.
A propósito, o amor que alguém sente não é direito senti-lo por quem quer que seja? Ou amar é virtude e também defeito?
O que do que sinto me pertence? O que do amor é meu?
O que de mim sou eu?
Eu entendo a mulher que se atirou da janela.
_ o marido era político? Não!?_,
Consciente do que era, nada, atirou tudo ao chão.
Há muito já estava morta a alma, apenas o corpo se espatifou no chão.
Também o fez a mulher do crápula e a amante do santo.
Muitos preferem o nada ser em meio a igual multidão.
Eu entendo o que se entorpece de drogas.
Eu entendo o que ri sem motivo de graça.
Eu entendo o que ri da própria desgraça,
Eu entendo o humorista,
O que passa a vender flores,
O que tenta cultivá-las;
Eu entendo o palhaço.
O que, por caridade, distribui abraços.
Eu entendo o bêbado, não o boêmio.
Eu entendo bem aquele que reclama da sorte
_ dependendo de como ele faz seu compêndio _,
Também entendo àquele que diz que ter um amor é um grandioso prêmio. Entendo sua inocência e falta de senso.
Entendo aquela que não acredita mais no amor, não porque não acredita, porque sei que na verdade ela perdera a esperança. Isso torna a conquista, para o amor de amanhã, num desafio maior.
O amor não tem vida fácil, principalmente se desiludido foi a pessoa qual ele ama.
E que graça teria viver o amor só descanso e cama?
Posso entendê-los a todos, mas não me entendo nem perdoo se me flagro sendo igual. O que torna uma alma especial é ela ser igualmente propensa aos erros e acertos das demais e, contudo, resistir, mesmo que doa não trair a própria consciência.
Se Deus fez tudo do nada e o deu de presente ao homem, por que o homem a tudo quer transformar em nada e devolvê-lo a Deus novamente vazio? Ademais e, porém, vazio e estragado.
Posso entender a tudo e a todos, sem exceção, menos o descaso.
Por isso entendo a ira de um deus bondoso zangado.
Posso entender o comportamento estranho de inércia física e a incessante luta mental no tudo querer e tanto sonhar e nada ter.
Entendo até os que se matam. Também os que se perdem na loucura e cometem crimes bárbaros. A vida é bárbara quando não existe harmonia; quando não existe a troca de gentilezas e a disposição para o abraço. Mas a vida também é bárbara, por excelência, pela comunhão da amizade na luta por mais espaço.
Entendo a todos. Até aos que não me entendem eu os entendo.
Só não entendo o eu que a mim me desdenha e condena tão fraco.

Até mesmo a fraqueza comum, a aparente inércia ou falta de atitude em prol do que sinto é condenável, porque eu sei de cor como devo agir, entanto, me reprimo acovardado.
Todavia, é natural que assim me atenha diante da espantosa beleza que tem o frágil ser semelhante amado.
E não oferecer ao amor abrangente solicitude é pecado mortal; por isso me sinto condenado à morte lenta do viver contemplando a vida sendo eu no amor imortal.
Beba da taça e deguste o vinho sem refletir. É assim que se vive. Só assim se é feliz.
“Sorria!” o anúncio diz.
O olhar das câmeras ainda não distingue o movimento da alma sã de uma penada.
O dia é de sol e penumbra.
No trabalho, entre os dissabores do ofício alguns caprichos do amor. Palavras.
Rimos, sim, da desgraça alheia. Ninguém é perfeito. Todos os dias, a toda hora, rimos. É que a maturidade do homem acaba refletindo nos seus sentimentos. E quanto mais o homem se perde ainda mais ele ri. O homem feliz, então, já se tornara alheio.
No amor também é assim, navega-se ansioso, porém, seguimos inconscientemente tranquilos nas ondas agitadas de um mar desconhecido. A pessoa amada peca por omissão.
Ela saberá disso? Acho que sim. Ela entende das leis.
Tento ler os jornais.
A previsão do tempo é instável.
Ignoro o horóscopo, mas não o repudio.
Tudo parece imprevisível.
Mas nota-se que tudo é previsível dentro de toda a previsibilidade.
Os holofotes se movimentam. As luzes caem sempre nos mesmos pontos obscuros, neutros, sem transparência e má claridade.
A realidade vivida é um ponto cego no tempo?
Sim, responde um pensamento, apenas para satisfazer o ego.
O Brasil está em protesto.
O mundo está em protesto.
Pelo o que protestam?
Cuba protesta.
Pelo que protestam?
Ai, meu Deus, é muito protesto!
As formigas protestam.
As abelhas estão em protesto.
As borboletas da minha rua estão em protesto;
Os pássaros também estão.
Os pombos, os beija-flores, as mariposas, as libélulas, os mosquitos...
_ o Aedes Aegypti não _,
Mas as joaninhas desapareceram.
Os pardais sumiram. Foram embora?
As mulheres do meu tempo, as musas, se foram...
A todos eles eu entendo;
A eles sim, eu os perdoo.
O sentido da nossa permanência não é o jardim, são as flores e frutos e o que deles está por vir.
Tudo está se acabando, por isso os entendo perdoo.
Mas ao homem eu não o perdoo.
Enquanto observador eu lerei as pessoas e ao mundo.
E quando eu não for mais gente, humano, vingarei com a minha ausência de alma humana.
Todavia, ausência não significa silêncio.
Do jardim que cultivamos nada restará, nem flores nem espinhos.

De humano talvez restem palavras.
Algumas palavras.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O homem e o homem

O homem tornou-se inimigo do homem,
fez do mundo a arena do jogo do vale-tudo.
Tiram a todos a paz,
tentam tomar-lhe tudo:
água, o ar, e o pão...

Esconderam com manto cinza o céu;
desviam as chuvas, cobrem nascentes, tiram-nos o chão;

O bem se tornara mal, e o mal se tornara bem.
Já nem mesmo descanso de morte, por bem, lhe é direito;
Sete palmos de terra não mais se têm.

E por falar em pão
_ pão e vida, vida e pão _,
o homem, coitado, ao homem, no seu ganha-pão,
arranca-lhe o couro e lhe fura os olhos
por apego ao ofício, pela sustentação;
por puro prazer, ou por ambição.

Quando não é corrente é chicote,
senão os dois, é descarte,
extermínio, ou exclusão.

E sem trabalho não se pode ter teto
_ que dirá sonhos !_,
arroz e feijão;
só lhe resta a morte certeira
e a incerteza de ressurreição.

Pena que o homem limite ao homem o movimento à perfeição.
O que não e comprado é plágio,
_ plágio do plágio roubado _,
arte beleza-feia,
condenada à destruição.

domingo, 16 de agosto de 2015

A quem pedir socorro?



A quem pedir socorro?

Todo o rebanho está sendo conduzido para o deserto,
E no fim do caminho existe um abismo.
A euforia grita mais alto do que a razão.
A maior perda será a esperança.

Porém, é o arrependimento provocará maior dor,
Porque nada pode causar maior desencanto
Do que saber-se culpado de provocar, além do próprio pranto, a dor de tantos inocentes; pela perda do bom senso, por ignorar-se o potencial, a inteligência, e a voz que grita, grita, bem lá no fundo, a verdade do próprio sentimento.

Quem melhor do que eu para saber o que é melhor pra mim?
Quem melhor do que eu para pensar e decifrar meus anseios?
Quem, senão eu, pode saber o que há de bom em mim?
Quem _ senão eu _, pode saber da minha fé?

Então, por que seguir o estranho travestido de pastor?
Um lobo desconhecido, faminto, o confortará à beira do precipício?

A quem você vai recorrer quando...
Sentir nos ombros o peso da responsabilidade dos seus atos?
A consciência é uma cruz nativa.
As lágrimas dos pais por ver um filho chorar de fome há de sangrar em ti mais do que o golpe de uma espada.
Antes, já preparou seu coração para a sangria?

A quem recorrer quando deveras sentir que...
Desprezaste a liberdade
O direito de pensar?
Embora o milagre da habilidade de pensar seja o primeiro mandamento que Deus a ti confiou, é um dom arbitrário.
E tu, ingrato o desonras?!

Já deste ao inimigo todo o crédito, a confiança, deixando decidir por você o destino. Dar-lhe-á metade da dor dos teus arrependimentos? Como?

Quando não tiver mais credibilidade e perceber que a ganância de outrem o levou a trair-se a si mesmo, e a todos que ama, então, se lembrará de que existe um Deus e o culpará pelo amargo viver e ao Mesmo implorará por socorro. Se der tempo. Por sorte, se tiveres tempo.

Quando terminarem o trabalho para cujo propósito, para o qual o você foi convocado, você será rejeitado e banido. Tomara, as correntes da repressão não o prenda no tronco da política e faça do seu futuro isca de toda conspiração. Seus os trocados serão os mesmos.
Ou você acha que Lobos e Tucanos lhe darão parte da herança? Espere e verá. 

Verá que o maior inimigo dos trabalhadores e povo brasileiro se chama Eduardo Cunha, o demagogo. Aquele que impedi o avanço da justiça e o desenvolvimento do país. E existem muitos lobistas por aí. Espere e verá!

Oxalá, seu prato permaneça cheio desse pão que alimenta a sua insatisfação, porque a fome do lobo bem pode devorar-te o amanhã por inteiro.

Corre! Vai para as ruas enquanto ainda é domingo, dia de cuspir na liberdade e no prato do seu alimento. Vá! Humilhe a liberdade e golpeie a democracia.
E a nossa história terá mais um (uma) a pagar pela traição dos desalmados.

Mas no meio do deserto ainda pode nascer uma flor, pois eu vi no meio da aridez um jardineiro.
E ele cantava assim:


“Sou Dilma, sou gente!”
O que falta é justiça!




Eu quero acreditar




Dizem que depois da tempestade vem a calmaria;
Eu quero acreditar, mas a vida é de uma turbulência que parece nunca ter fim.

Dizem que o céu é de verdade, Deus é justo e o paraíso existe;
Eu quero acreditar, mas os que sempre detêm o poder são obreiros satânicos, e a injustiça tem sido soberana, e o acesso ao paraíso me parece cada dia mais improvável e distante.

Será que no final seremos felizes? Quando?
Depois do nada que somos o mais seremos?
Podemos ser nada sem consciência do fomos e do que somos?
Depois de tornar-me pó o que me importa a vida?
Eu já a vivi, bem ou mal, sou passado.

Somos todos heróis medíocres;
_ Heróis porque vivemos _, sobrevivemos.
Á custa do que sobrevivemos, ainda?
Títulos, estrelas, licenças...
Doutores da morte.

Após tantas e tantas tragédias a vida ainda é vida, continua.
Insistentemente a vida continua; como que por vingança d’algum deus, continua.

Ah, você tem propósito!
Existe algo melhor do que o propósito de viver?
Então por que não conseguimos compartilhar o respeito desse direito de todos?
Ah, somos humanos?!
Eu quero acreditar.

Mas eu simplesmente não consigo!


quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ano Novo


"Abri as portas da gailoa e libertei o meu amor, por isso eu canto..."
Bom dia!
Bom dia sol!
Bom dia, dia!
Encare o ano como uma criança recém-nascida. Não, não é você a criança, criança é o ano que hoje vive o seu primeiro dia.
Dê a ele as boas vindas. Emocione-se se ele chorar ou sorrir. A criança é inocente, nunca indiferente e, além do mais, ela se espelha na vida para evoluir-se. Você é a referência, é o modelo, é o espelho, é o mestre e o guia. A criança precisa de amparo para caminhar. A criança, tempo, caminha para servi-lo. Ela sabe _ e você sabe _ que ela também será o seu guia. E ela precisa de amparo para proporcionar a você todas as emoções e prazeres da vida. O que você quiser a criança corre e cria. O que você desejar a criança providencia. O que você quer?
Aproveite que a madrugada é fria. Aproveite a manhã que o ar bom, é puro, é o primeiro hálito do dia. O que você quer? Saúde, paz, alegria? Faça seu pedido. Dê a ele a receita e com mãos Divinas a criança carinhosamente providencia; e juntos, seus espíritos então, como uma só alma alimentar-se-ão com o dia. O que você quer?
Se você é egoísta, ofereça à criança o que deseja tomar de volta no fim do dia.
Mas se você é altruísta basta seguir em frente estudando, em vigília, zelando e contemplando a vista.

Aproveite que o tempo é bom. Um anjo, que conhece o tempo e gerencia as horas é que anuncia: aproveite agora, hoje, o instante da sua estadia;
Seja honesto. Seja fiel à ética escolhida. Mas faça do amor a sua ética e a defenda para a sua vida.
Seja autorresponsável. Só assim o homem evolui;
Seja gentil. Gentilezas são como nuvens no céu. Como você deseja que seja o seu dia? Valorize o próximo e lhe seja grato por ele existir e proporcionar a você condições de ser quem você é ou será;
Seja dedicado. Vista a camisa da vida, da existência, do ser, e faça acontecer, além de persistir, faça tudo no limite da sua competência;
Serviço... _ sem ofensa _, você nasceu para servir. Ofereça o melhor de si, faça bem feito, compartilhe o seu dom, viva com comprometimento. Não tem jeito, não tem como fugir, esse é o seu momento.
Criança, criança!... foi um anjo quem disse: “Esse é o ano da avaliação espiritual, o primeiro dos próximos que antecedem o fim.”
Cuide-se bem! Que tal cuidarmos juntos, eu de você e você de mim?

Bom dia!

domingo, 28 de dezembro de 2014

Não é conselho, é observação




Ninguém, em sã consciência, jamais deveria dizer: perdi meu tempo.

Eu pensei ter perdido meu tempo e ele, o tempo, severamente se manifestou em mim.
Aí sim, eu me perdi no tempo.

Eu pensei que era perda de tempo, o amor.
Depois, eu pensei estar perdido de amor enquanto o amor se manifestava em mim.
Por isso o amor castigou-me.
Fui punido pelo amor e pelo tempo.
Ora, eu estava amando!
Ninguém, ninguém se perdi por amar;
Pelo contrário, no amor é que a gente se encontra.
Ah, mas eu amei. Como amei!
Amei tanto que perdi a noção do tempo.
E acredite: amar é um delicioso exercício.
O amor nos mantém em completo movimento. De corpo e alma.

Viver é estar em constante movimento, e amor nos põe em movimento para viver.
O amor nos deixa em completa harmonia com a natureza.
Nada que se faça é em vão, exceto ficar em inércia.
A inércia, sim, é perda de tempo.

Quando eu corri, corri, corri tanto e mesmo assim perdi o ônibus, fiz uma nova amizade.
Estudei pra caramba, mas fiquei de DP;
Aí eu prendi em uma semana o que eu achava impossível.
Trabalhei muito e não fui recompensado. Mas adquiri experiência.
Quis morrer, mas aprendi muito ao questionar a vida.
Reverti o desencanto e venci a depressão.
O meu hobby patético tornou-se um livro interessante;
Da minha história triste fiz um lindo poema de amor.
Saí pra andar à toa e tive uma ideia brilhante.

Nada que se faça em vida é em vão.
Depois da morte eu não sei. Mas pensar nisso também não é perda de tempo.
Não existe tempo perdido. O que acontece é tempo mal gasto, mal vivido;
Exercício mal feito;
Indecisão na encruzilhada _ Ser ou Não Ser.
Falta de fé;
Falta de dedicação ao ofício de viver.
Pense nisso.

Feliz 2015!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sede

Numa noite dessas acordei com sede, a garganta seca, fui até a cozinha, peguei um copo de vidro transparente e o enche até a borda com o precioso líquido cristalino _ água potável...  Nessa hora pensei algo profundo _ às vezes sofro de filosofia. Eu não queria água, apenas água; eu tinha sede, muito sede, uma sede enorme de algo incomum. Sede do desconhecido que há muito é sabido. Sabe, uma sede que tira o sono.
Mas eu não sabia do que era. Eu não fazia a mínima ideia do que me provocara tanta sede.
Eu tinha muita sede.

Fui até a geladeira e me deparei com algo que me chamou a atenção. Vi no cantinho, bem lá no fundo, um champanhe que sobrara do réveillon. Ficara esquecida ali há muito tempo. Há exatamente doze meses foi a última vez que eu lhe dera atenção. Estava suada. Parecia triste. E, ao nos encararmos, tive a impressão de que ela se alegrava com a minha humilde presença. Sensibilizei-me, claro!
Enfim, depois de muito, muito tempo, eu despertava alguma reação com o meu calor humano. E por que não, prazer?




terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Contraste


Observe. Sinta a atmosfera. Existe algo a mais do que lantejoulas e raios do sol de verão, algo mágico e generoso, que esparge brilho nessa época festiva.  

É inegável que a festa natalina ilumina desde a inocência infantil até as faces mais carrancudas dos desiludidos. Tudo se torna mais leve, sob um certo peso de expectativas, claro. Uma apreensão, ansiedade, apelo balsâmeo que, gradativamente elimina os incômodos estressantes.  A vida se torna mais suave. A carranca mais tênue. O espírito casmurro aos poucos se rende à contagiante alegria e, por fim, ao otimismo.

A angústia; ah, a angústia! Se restar um pouco de tristeza, essa se oculta, porque a mágoa se envergonha de si mesma. Ela é uma sombra que não suporta seu próprio reflexo. Toda angústia se retrai ofuscada pelo brilho de um raio de alegria.

Às vezes reagimos como medíocres e somos mesquinhos, mas perdoai-nos; perdoe-se, é força do hábito. A solidariedade e a compaixão são virtudes a serem trabalhadas. As sensibilidades afloram-se com certas práticas. O natal é propício para tais exercícios. Principalmente o do autoconhecimento.

A celebração é de uma gestação completa, dizia mamãe, D. Deca, "sintomas de esperança em cada olhar". Todas as faces revelam uma gravidez enigmática. Todo o período da vida pode ser sentido, da fecundação natalina ao tinir das taças no tintim do começo do novo ano. É tempo de renascer. O ápice, contudo, se dá num largo pico: do natal ao réveillon, batismo e consagração da vida. 

Mas há aqueles que são lentos, sem pressa. Outros apressados, prematuros. O espírito do natal depende do estado de espírito do homem.

O que envolve a alma com tal energia? É o espírito do natal? Seria um hálito Divino? Um suspiro de Deus impregnado de essência humana que, como um manto, ascende as nossas sensibilidades e apura todos os sentidos para a representação digna da imagem e semelhança de Si?  Seria alívio pelo fim de um ciclo? Ou seria o fato, quem sabe, o brilho atraente da luz do esquecimento? O entusiasmo de se saber que nada somos e, por isso, somos tudo por sermos apenas humanos? É frustrante a incerteza. De onde viemos; pra onde vamos...

O espírito de natal é um mito que opera milagres por fazer com que o homem se sinta criança, pequeno e inocente, na sua grandeza de nada ser além do que é: apenas espírito. E espírito, o que somos, ou o que se é, ainda nos é mistério.
 
Sejamos, então, humildes e compreensivos com o próximo. Ele é semelhante. Talvez seja ele prematuro ou talvez lento. Mas não há nenhuma incompatibilidade humana ou Divina. Dê perdão. Seja solidário e agradecido, pois, esse algo a mais, mágico e generoso, que esparge misteriosa luz, é você.

Ho-ho-ho, Feliz Natal!

sábado, 10 de agosto de 2013

Natureza soturna

Abraçara-me, primeiro com os olhos _ luz divina _, depois com abraços e, sabe-se lá quais, pensamentos. E oferecendo-me os lábios à espera do melhor beijo acomodara-me no colo aconchegante. Oferecera-me os belos seios como fosse eu tua criança. Dera-me tudo, sem restrições, e com carinho alimentava-nos de esperanças.

Esperança que jorrava da tu'alma purificadora _ fonte cristalina.  Eu, ambicioso e cruel, lhe abria o coração a verbos defectivos  causativos e anômalos _ navalha afiada, essa língua impiedosa, sem compaixão. Palavras silentes que rasgam, rasgam, rasgam...

Alimentei teus sonhos, despretensiosamente te cobrindo de ilusões...

Devias ter-me deixado à míngua, morrer de ansiedade, me negando o nécta da felicidade. Não, não devias imortalizar-me como fizera. Pobreza e desamparo, e o manjar místico de quimeras às almas soturnas. Amaste até minha excêntrica soturnidade. Por isso, mais e mais te admiro: tens uma maliciosa ingenuidade.

Por isso, e muito mais. Mas que amigo! bem mais, tu sabes, bem mais. Mais que amante... Dois bobos em humílima disposição para o espanto e encantamento.

Vampiro. Eu vampiro, tu borboleta. Tendo a nosso dispor a boceta de pandora e o brinquedo, onde encerra todos os males, contudo, igualmente a única cura.

O lado negro da magia sobrepõe-se à beleza singela da inocência _ essa borboleta dos lamaçais pós-chuva de verão. Devias ter-me deixado ao vento, vagando nos céus, nu de estrelas; devias. Ambos admirando a lua, inexistentes. Mas o homem pertence à vida, assim como a vida ao homem.

Todos dizem "eu te amo" ultimamente; eu não, não mais. Mas teu olhar clínico o percebe: amor oculto _ nunca secreto _ de vampiro faminto, indolente, indiscreto, de alma obscura. Uma poça para o teu breve voejo.

É pena que tu sejas sol, e a vida fizera-me de natureza soturna. Um eclipse, talvez, o tempo que a felicidade perdure.

Texto extraído do livro "Um Minuto, Por Favor!", em fase de conclusão. 

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Minha missão, meu desejo

Deixar o meu rastro pela terra, amparado pelos recursos da lua,  e declarar guerra aos homens das guerras, homens de lua, que desconhecem a divina poesia que é a vida; onde o homem é o verso que se harmoniza à misteriosas rimas.
Essa é a minha missão, minha poesia; faça a tua.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Grato

(Em homenagem a Luciana, meu amor)


Poetray

Grato! Por enxugar-me o pranto com o calor deste sorriso
e amenizar minha dor com este olhar de ternura e brilho 
cujos raios minh'alma aquecem; 
pois viver é isso, 
e muitas vezes, isso, agente esquece.

Vaguei pela escuridão sem nenhuma esperança 
_ e sem vontade de tê-las_, 
confesso: vagueei até encontrar-te; 
e ao vê-la, fui resgatado e liberto 
e novamente posto, deste lado oposto, 
sob tua face _ meu céu de estrelas.

Grato! Pela vida que se ilumina. 
Inda dói, perturba certa angustia no peito, 
_ mas nenhum receio que oprima _, 
é que o passado nunca é desfeito 
e cicatrizes são lembranças, essas não tem jeito, 
só o tempo cura certos males e seus efeitos.

Doce, doce, doce!... 
Água e fonte, perfume do campo 
brisa;
minha flor...
Grato, por enxugar meu pranto!


Itapevi-SP 12/06/13 




domingo, 9 de junho de 2013

Efeito dominó

Poetray

Sinto-me meio zonzo esta manhã. Acho que são os efeitos das notícias; todas as manchetes dos jornais televisivos hoje são desanimadoras e intragáveis. Não as citarei, pois são corriqueiras; exceto a vitória do Brasil sobre a França. Um placar expressivo.

Meu café da manhã tem sabor de chocolate, embora seja muito amargo o valor. O leite, o pão, o achocolatado dão à vida um belo sabor. Mas falta sucrílhos _ a marca que a criançada adora _, porque custam os olhos da cara. Queijo e frutas na mesa, nem se fala, já se tornou coisa rara.

Eu brinco com a colherzinha enquanto misturo o pó ao leite e penso na economia. O barulho irrita a mulher. E não, eu não sou economista nem tenho economias; o contrário é o que é.

A cabeça dói. Falta-me estômago para as injustiças. Ainda não inventaram “Engov” para alterar certa natureza psíquica.

Eu pago impostos sobre tudo que consumo. Pago pela escravidão, produtos e insumos. Eu pago para ser brasileiro. Pago pelo que fui e o que somos...


Chego à janela porque ouço cantar o bem-te-vi. “Cerração baixa, sol que racha”, o dia mostra a face de luz. Eu calço o tênis, me benzo, tranco a porta e caminho para a cruz.

Sombras

Sabe esses dias de inverno incrivelmente bonitos?
Desde manhãzinha o sol brilha. Poucos blocos de nuvens alvas dispersas sob o manto azul...
E aquela expectativa de ver "Ela"; aquela pessoa especial que é ainda mais bela que todo o esplêndido conjunto de encantos da natureza que adorna o dia. Mas no decorrer das horas, embora o dia permaneça lindo, vai dominando agente aquela sensação de que não vai acabar bem, algo ruim vai acontecer.

Aconteceu. Seis de junho, hoje, ano 2013, foi assim: Vivi a magia do sonho algumas horas do dia, e findou com a negritude da realidade envolvente da noite.
Mas, na verdade, há três dias já vinha sentindo um crescente pressentimento de ameaça de descontentamento e, nesse dia, eu sabia que seria o pico, o dia fatal da decepção.

Quando já se está esperando uma decepção ela não falha e sempre vem acompanhada. A tristeza é visita que não se atrasa, se é convidada comparece. Nunca é tão grave por já não ser total surpresa, absolutamente; mas parece que a vida ironicamente se reparte para lançar sobre sua cabeça uma chuva de descontentamento, em pancadas, de tempo em tempo, todo o dia, intercalando a cada despertar de um devaneio. Sim, quando se está amando se devaneia sempre, apesar das chuvas, apesar do tempo.

Pois bem, no fim do dia acabou o mistério. O tempo se estabilizou sombrio, e, dentro de mim, tempestuoso. Eu a vi com outro. Mas a natureza é sábia ao reger nossas vidas, tudo se renova independente das condições do tempo, dos pressentimentos e fantasias. Vale. Um novo amanhecer é sempre um desafio e recompensa.