No centro velho, outrora pleno de glamour, acariciei meus olhos com
arquitetura eclética e belos mosaicos. Abracei minha querida São Paulo do
Ipiranga à Luz. Viajei pela República...
Ouvi vozes estranhas e gritos por independência: Os pombos, os cães, a
polícia, o homem, o bicho...
Aí meus olhos se fixaram despropositadamente no bico dos sapados.
Não sei
por quê.
A cada passo chutava um fato, a cada fato um político e meus votos.
A cada chute
um risco.
A cracolândia era o retrato do que eu ajudara a construir; ou destruir.
Senti calafrios. Tremedeira!
Faltou-me uma bebida;
café, uma graça, e uma bandeira.
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
sábado, 28 de dezembro de 2013
O Bicho
O Bicho
“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
“Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem”.
Autor: Manuel Bandeira
Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho nasceu em 19 de abril de 1886 em Recife. Em 1903 foi para a cidade de São Paulo a fim de cursar Engenharia na Escola Politécnica. No entanto, em decorrência do acometimento de tuberculose, não pôde concluir o curso. A partir de então, passa por verdadeira peregrinação por diversas cidades e casas de saúde, tendo, inclusive, se mudado por um ano para a Suíça com o intuito de livrar-se da doença. Ao voltar para o Brasil tornou-se inspetor de ensino e depois professor de literatura.
Em 1917 publicou seu primeiro livro – A Cinza das Horas – com características parnasianas e simbolistas. Posteriormente à publicação de seu primeiro livro, o poeta foi se enquadrando no estilo modernista, culminando com a publicação em 1930 da obra Libertinagem, considerada uma das mais importantes da literatura moderna brasileira.
Na obra de Bandeira predominam a liberdade de conteúdo e de forma, o retrato do cotidiano, a sua própria história de vida, o humor, a indignação com a realidade do homem e a idealização de um mundo mais justo. O autor conseguiu reunir em sua poesia subjetividade e objetividade e o resultado foi perfeito.
domingo, 9 de junho de 2013
Efeito dominó
Poetray
Sinto-me meio zonzo esta manhã. Acho que são os efeitos das
notícias; todas as manchetes dos jornais televisivos hoje são desanimadoras e
intragáveis. Não as citarei, pois são corriqueiras; exceto a vitória do Brasil
sobre a França. Um placar expressivo.
Meu café da manhã tem sabor de chocolate, embora seja muito
amargo o valor. O leite, o pão, o achocolatado dão à vida um belo sabor. Mas
falta sucrílhos _ a marca que a criançada adora _, porque custam os olhos da
cara. Queijo e frutas na mesa, nem se fala, já se tornou coisa rara.
Eu brinco com a colherzinha enquanto misturo o pó ao leite
e penso na economia. O barulho irrita a mulher. E não, eu não sou economista
nem tenho economias; o contrário é o que é.
A cabeça dói. Falta-me estômago para as injustiças. Ainda não
inventaram “Engov” para alterar certa natureza psíquica.
Eu pago impostos sobre tudo que consumo. Pago pela
escravidão, produtos e insumos. Eu pago para ser brasileiro. Pago pelo que fui
e o que somos...
Chego à janela porque ouço cantar o bem-te-vi. “Cerração
baixa, sol que racha”, o dia mostra a face de luz. Eu calço o tênis, me benzo,
tranco a porta e caminho para a cruz.
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