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domingo, 23 de agosto de 2015

Em vao


Procura palavras no teto:
argumento
explicação
o que é metafísica;
inventa:
inamar, rehumanização, almica...
Teorias.
Em vão, tudo faz sentido
Em vão
para a mente abarrotada de vazio.
Tudo vão
Fica.
O homem da pauta é sujo.



Longo o percurso
O caminhar lento
Há muitas vias
muitos embaraços ao longo da escuridão do próprio espaço-tempo.
Tão tênue céu
O sol nunca se põe.

Leva consigo todos os pertences
São teus.
Herança do que nunca tive.
Meus bens são neutros
Valem o mesmo que um suspiro.

No outdoor 
O pombo pousa
Arrulha
E numa dança cômica caga na face política.
Bom ser pássaro
A lei é ser livre.

"Ora! respeitem meu barulho!".
Não façam silêncio
Aplaudam.

Bêbado
Amou de menos
Certamente
Bebeu veneno, querer tanto.
Atravessa a rua
Canta lamento
Samba.

Ir pra onde?
Do lado oposto sempre
Há saída.

No espelho
A fisionomia transfigurada
Traços rústicos
Estranho relógio
O tempo,
Se ama sabe o que sente.
Porém, 
No espelho oculto
A mente
Sempre jovem
Homem
Semente.



domingo, 16 de agosto de 2015

A quem pedir socorro?



A quem pedir socorro?

Todo o rebanho está sendo conduzido para o deserto,
E no fim do caminho existe um abismo.
A euforia grita mais alto do que a razão.
A maior perda será a esperança.

Porém, é o arrependimento provocará maior dor,
Porque nada pode causar maior desencanto
Do que saber-se culpado de provocar, além do próprio pranto, a dor de tantos inocentes; pela perda do bom senso, por ignorar-se o potencial, a inteligência, e a voz que grita, grita, bem lá no fundo, a verdade do próprio sentimento.

Quem melhor do que eu para saber o que é melhor pra mim?
Quem melhor do que eu para pensar e decifrar meus anseios?
Quem, senão eu, pode saber o que há de bom em mim?
Quem _ senão eu _, pode saber da minha fé?

Então, por que seguir o estranho travestido de pastor?
Um lobo desconhecido, faminto, o confortará à beira do precipício?

A quem você vai recorrer quando...
Sentir nos ombros o peso da responsabilidade dos seus atos?
A consciência é uma cruz nativa.
As lágrimas dos pais por ver um filho chorar de fome há de sangrar em ti mais do que o golpe de uma espada.
Antes, já preparou seu coração para a sangria?

A quem recorrer quando deveras sentir que...
Desprezaste a liberdade
O direito de pensar?
Embora o milagre da habilidade de pensar seja o primeiro mandamento que Deus a ti confiou, é um dom arbitrário.
E tu, ingrato o desonras?!

Já deste ao inimigo todo o crédito, a confiança, deixando decidir por você o destino. Dar-lhe-á metade da dor dos teus arrependimentos? Como?

Quando não tiver mais credibilidade e perceber que a ganância de outrem o levou a trair-se a si mesmo, e a todos que ama, então, se lembrará de que existe um Deus e o culpará pelo amargo viver e ao Mesmo implorará por socorro. Se der tempo. Por sorte, se tiveres tempo.

Quando terminarem o trabalho para cujo propósito, para o qual o você foi convocado, você será rejeitado e banido. Tomara, as correntes da repressão não o prenda no tronco da política e faça do seu futuro isca de toda conspiração. Seus os trocados serão os mesmos.
Ou você acha que Lobos e Tucanos lhe darão parte da herança? Espere e verá. 

Verá que o maior inimigo dos trabalhadores e povo brasileiro se chama Eduardo Cunha, o demagogo. Aquele que impedi o avanço da justiça e o desenvolvimento do país. E existem muitos lobistas por aí. Espere e verá!

Oxalá, seu prato permaneça cheio desse pão que alimenta a sua insatisfação, porque a fome do lobo bem pode devorar-te o amanhã por inteiro.

Corre! Vai para as ruas enquanto ainda é domingo, dia de cuspir na liberdade e no prato do seu alimento. Vá! Humilhe a liberdade e golpeie a democracia.
E a nossa história terá mais um (uma) a pagar pela traição dos desalmados.

Mas no meio do deserto ainda pode nascer uma flor, pois eu vi no meio da aridez um jardineiro.
E ele cantava assim:


“Sou Dilma, sou gente!”
O que falta é justiça!




domingo, 4 de janeiro de 2015

Eu decidi mudar e sofri muito com isso


Eu decidi mudar e sofri muito com isso.
No primeiro dia acordei mais cedo.
Rezei ainda na cama, porque pensei que Deus merece exclusividade.
Tomei meu café da manhã sentado à mesa.
Andei na ponta dos pés até ao quarto das crianças e fiquei um tempo, ali, as admirando.
Sangue do meu sangue...
Dei um beijo na esposa e desejei a ela bom dia, embora a gente tivesse brigado.
Estava decidido a mudar, então, dali por diante tudo deveria ser diferente.

Surpreendi meu vizinho ao parar e cumprimentá-lo com um sorriso e um aperto de mão.
Sua esposa _ que acha que sou metido _, sorriu ao meu gesto cavalheiro.
O Rex, seu vira-lata, não latiu, apenas abanou o rabo.
O gato branco e preto, garboso, não desceu do muro.
O colibri permaneceu com a língua comprida enfiada dentro da flor vermelha.
Percebi que havia flores nesse jardim.
E se eu posso oferecer flores, por que oferecer espinhos?
E se espinhos forem necessários, que seja,
Que se vá espinhos, mas sempre junto com flores.

Cheguei ao trabalho distribuindo sorrisos e cumprimentos.
Utilizei como nunca a ferramenta gentileza.
Elogiei o trabalho dos meus companheiros
_ e os elogios eram justos _
Agradeci-lhes pela disponibilidade
E tive um prazer que há muito não sentia ao cumprir meu ofício;
Tanto que, no fim do dia nem sentia o costumeiro cansaço.

De volta pra casa ainda estava disposto.
Brinquei com as crianças;
Dialoguei com a mulher e entendi a esposa,
Mas ainda tinha dúvidas quanto a quem era quem naquele momento.
E vi que embora ainda nos amássemos, meu coração já pertencia à outra.
Mas isso eu não admiti, a covardia comum aos homens ainda prevalecia.
Ninguém muda, assim completamente, em apenas um dia.

Falei com Deus antes de dormir e tive bons sonhos.
E Deus me mostrou que em nada eu havia mudado
Mas que, sim, eu estava voltando ao que devia ser;
O que era antes.

No dia seguinte eu daria um passo importante:
Arriscaria andar do outro lado da rua.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Nick e eu


Chegou a hora de assumir nosso relacionamento.
Meu amigo Nick e eu não temos medo de fogos, mas nos incomoda muito o estrondo e o destino final das bombas. É muito ruim ser o alvo, assim, involuntariamente. Por isso hoje compartilhamos o sofá. Se estivéssemos em guerra, tudo bem. Acredito que nas guerras o barulho dos tiros incomoda menos do que o silêncio absoluto. Tem silêncio que ensurdece a alma. O silêncio que antecede a morte; O silêncio de uma paixão...

Eu estou em guerra,  mas é com o coração _ conflito de amor _, a razão queima feito pólvora. O coração se comprime; e compactado o amor inflama.

Nick parece entender o que penso e respeita minha imobilidade. De vez em quando ele abraça meu pé e tenta me arrastar para fora para brincar. Mas logo desiste, cruza as patas e apoia a cabeça sobre elas. E ali fica encabulado, a discorrer sobre tudo. Às vezes ele ri ou suspira profundo. A solidão é muito ruim; nisso nós concordamos. Sei disso porque após grunhir como um porquinho, ele baixou a cabeça e ficou me espiando, cheio de manha... compaixão talvez. Então, eu escrevo mais um verso e o leio para ele. Ainda bem que temos um ao outro!...

Embora ele seja um cão, já tenha tido sarna, mije por todo canto e solte pelos, gosto dele. Eu também tenho meus defeitos: sou alérgico, pouco sociável e estou aprendendo a latir. Às vezes acho que devíamos inverter os papeis. Nick é muito amável, sabe muito bem como conquistar e é fiel. Eu não. Ele seria um bom intelectual; um sábio talvez. Eu daria um ótimo cachorro de caça ou cão-guia. Mas reconheço que livre mesmo são os vira-latas.

Essa noite de réveillon vou abraçá-lo e até deixar ele lamber meu rosto. Que extravagância!
Tudo bem, melhor não prometer nada. Pra mim as coisas não funcionam assim. Nenhum dos meus planos deu certo. Estou longe de... Não viajei... Não bebo, não fumo e, e nessas noites de barulho sofro de insônia. Acho que vou fazer pão de queijo pra mim. Ah, vou dar repolho e cenoura para o meu amigo. Ele adora!
Aí amigão, feliz ano novo!


sábado, 6 de dezembro de 2014

Só para os íntimos

Um amor desfeito é uma esponja úmida:
Apaga a esperança
Descolore o mundo
Esconde o sol
Deixa tímido o sorriso.
Um amor desfeito apaga a vida.

Mas fica no ar  uma poeira que incomoda, como resíduos de giz, partículas vagando em vão, tremeluzindo, tentando se reconstituir para cumprir o compromisso de imprimir uma história.

As partículas que flutuam ao redor de mim, inflamando, irritando meus sentidos, nublando, anuviando-me os olhos, se juntas, têm o brilho mágico para recompor o colorido original da vida.

Mas não quero, não devo, não posso lamentar o ontem, o hoje, o que passou; esse instante, o que virá, e depois...

O agora é transição;
E nada melhor do que os fatos da vida em transição. Nada mais empolgante e atraente do que o movimento. O movimento é o que há de mais significativo nessa divina existência. Mover-se!...

Nada mais digno do que saber-se vivo _ mesmo que essa consciência se nos desperta de um amor indigno. Por isso, eu quero um amor verdadeiro.

Só mesmo o amor verdadeiro é capaz de levar o homem nas nuvens, entre as estrelas, no cimo do destino, na misteriosa escalada da vida.

Quero um amor verdadeiro.
Cansei de ser um mero doador, só eu sempre, a oferecer amor verdadeiro.
Todas as vezes que amei, ofereci amor verdadeiro;
Agora, quero um amor verdadeiro.

Existe sim, amor verdadeiro;
Todas as vezes que amei, foi amor verdadeiro.
Como será que é o amor verdadeiro?

Eu quero muito sentir o que sente aquele que recebe amor verdadeiro.
Às vezes penso, como seria bom um amor recíproco, de igual proporção, grandeza equivalente; um amor linkado direto, para download e upload, direto ao coração. Um amor assim, cliente/provedor, compartilhando intimidades. Um amor de salvação. Um assim é o que ofereço e espero na minha doce ilusão.

Isso exige responsabilidade, cuidado, porque o mundo é muito estranho.
O amor verdadeiro é algo meio complicado. É exigente. É uma mistura de não e sim na plenitude da sua liberdade de ser como é. Mas essa perfeição é nada ser além da simplicidade da sua perfeição de apenas existir. Exige exclusividade. E nessa prioridade exige-se que o seja proclamado e exaltado. Contudo exige sigilo. Que o seja compartilhado só para os íntimos. Por quê?

Ora! Por que! Os pastores são hostis e o amor é um cordeiro. O mundo adora sacrifícios. O amor é sempre ingênuo e puro _ uma bela oferenda. E eu lhes digo: Não há no mundo pessoa mais íntegra do que aquela capaz de oferecer amor verdadeiro. Ah!...

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Minha felicidade está triste


Minha felicidade hoje está triste
Pois sua felicidade acidentou-se.
Ferida, não consegui sorrir;
Nem eu.



Minha felicidade é linda
É humanamente Divina
Pura de coração.
Ela canta
Compõe
Toca violão,
Mas hoje, abatida, silenciou-se.

Ela é mãe da sua própria felicidade:
_ dois seres que si mesma se fez; amores perfeitos _,
E o que eu posso oferecê-la é nada
Comparado ao que ela me trouxe
E a tudo que ela me fez.

Ela doara-me um sorriso
E sua luz se esparge imensamente dissipando a escuridão
E os horizontes se expandiram cativando minh’alma
E revigorando meu coração.

Ela emprestou-me o ombro
Acolheu-me no colo
Acalentou-me
Pacificou-me
Sossegou meu espírito;
Resgatou minh’alma aflita do abismo da solidão.
E o que eu posso oferecer-lhe é nada
Sou pássaro sem asas, sou nada, sem ela diante dos meus olhos
Ampliando minha visão.

Minha felicidade está triste
Está ausente
Está distante...
Mas a minha felicidade é linda
Apesar de triste,
Existe.














quinta-feira, 24 de julho de 2014

Agressão involuntária nos relacionamentos

O que seria um beijo de boa noite acabou sendo um beijo na boca. Ignorei, tinha que ir para casa. Estava habituado a sair do trabalho e ir direto para casa.
Segui meu destino leve, oscilando ao sabor do beijo e ajuizando sobre um assunto delicado: violência domestica. Refiro-me especificamente à agressão involuntária nos relacionamentos, que são ocorrências perigosas e merecem atenção; porém é comum, por isso são ignoradas. Nos relacionamentos ocorrem muitos tipos de ameaças, que são relevadas, porque existe muita cumplicidade entre o casal ou a família. A separação também é uma ameaça que assusta; assim vão levando.
Sexo contra a vontade do parceiro, isolamento, falta de atenção, grosseria... Percebemos que um casamento chegou ao fim, quando o companheiro dorme; quando dorme sozinho dia após dia sem se preocupar-se se o outro está bem ou não, ou quando se conforma com a solidão e se acomoda. Chega a um ponto em que se dá razão ao outro por se achar que é merecedor do sofrimento.
Particularmente, me preocupa o ato sexual. Acredito que seja a mais comum e a mais agressiva dentre as diversas formas de agressão. As pessoas se agridem ou se deixam ser violentadas com frequência. Cometem ou se submetem às agressões por medo, por compromisso, por gratidão ou por medo inconsciente da solidão.
 O solitário se agride com a falta de sexo, ou se permite sexo casual ou comprado. No fundo, todos se agridem quando não ama ou não é amado. Conheço caso de pessoas que não suportam seus parceiros, e que, no entanto, cumprem o ritual de transar por compromisso, por obrigação. Nem sequer podem pensar em outro, pois, segundo as normas religiosas, é pecado e traição. Outros fingem para a sociedade que, vivem em harmonia, formam uma família feliz, é um casal apaixonado, entretanto nem ao menos se tocam. Outros se entregam às orgias, se lambuzam e se esforçam para esconder que sentem nojo dos parceiros. Que vida!
Vejo, por aí, nas fisionomias de muitas mulheres, transparecer uma alegria sem viço, uma  sombra de desilusão, e uma grande chama de desejo e urgência de carinho. Fogo e gelo; tudo em chamas ardendo na mesma fogueira. As mulheres se arrumam, se enfeitam e se perfumam, para camuflar uma tristeza crônica.
A tristeza fica esquecida quando uma pessoa se fantasia; e a melhor fantasia é esconder-se em si mesmo. Observo pelas brechas da vaidade a feiura escondida e a verdadeira beleza sufocada. Nada é real, nem os  sorrisos, nem as lamúrias. O que é verdadeiro é o oculto, que no vacilo transcende dos vãos da camuflagem. As mulheres se produzem graças ao instinto solidário e protetor, para que a vida não vá se descolorindo e o mundo se faça totalmente em trevas. Vez ou outra, uma mulher que se despe. Como é linda a mulher autêntica, transparente, nua! Como é bom conhecê-las.
Já, o homem nunca tira a armadura. Depois de armar-se e esconder-se na caverna da mentira é o senhor ninguém, vencedor inatingível, jamais se reconhece vencido. Quando ocorre se joga no precipício.
Já fui além desse estágio. Nas páginas em branco construo uma caverna e me escondo.
 (Do livro: Um minuto, por favor!, por Poetray)
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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Livro de poesias _ Lançamento

Ray Poetray nos convida para conhecer seus versos intimistas. A poesia, segundo ele, é a melhor forma de falar de sentimentos.
Confira na página do autor: www.agbook.com.br

          


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Um minuto,por favor!

Angústia, inquietação, mau-humor, desânimo e sensação de impotência; foi o que ganhou um funcionário de telemarketing, atuando em uma empresa multinacional global, com sede em Paris, França. Por mais de um ano o personagem conviveu com esses sintomas diariamente, sem ter apoio e sem saber o que fazer, esforçava-se para manter o equilíbrio na rotina de São Paulo, às vezes prestes a explodir ou sentindo-se como uma alma penada, até tomar uma atitude e desenvolver os próprios meios de lidar com o problema: a depressão.
Disponível nas livrarias e no site: https://agbook.com.br/book/166926--Um_minuto_por_favor
Fale com autor, envie sua crítica.


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segunda-feira, 31 de março de 2014

Desejo

Desejo que ela seja feliz
Todos os dias
Espero que ela tenha paz.
Não sinta essa insônia maldita,
Essa inquietude,
Essa vontade de dormir um sono eterno, sono do esquecimento; 
o sono de morte prematura...

Ora, vá! Lha sou grato, tive um amor bonito.
Essa infância de amor é imortal
E será a minha herança para a eternidade
pois, criou para si, em mim, um mundo de fantasias.
Mas, certamente, irá me atazanar com infinito réquiem lúgubre na escuridão do quarto amnêstico e mórbido da dor.
Desejo, sinceramente, que ela seja feliz
A cada segundo
Todos os dias.

O que ainda sinto, e incomoda, é um desajuste na ternura.
Mas sempre será ternura,
nunca amargura.
O tormento é o vazio _ o pedaço de mim que ela levou.
O coração parece oco;
E um frio cortante o comprime no peito.
Acho que estou morto.
Mas, meu Deus, porque me mantém apurado todos os sentidos?
Eu queria nada sentir.
Eu queria o nada absoluto
O vazio de nada ser e sentir.

Nas paredes do meu quarto tem uma ave gigante, com grandes garras afiadas.
Sobrevoa o teto.
Nas presas, lembranças estranhas e estranhas palavras, 
doces palavras...
Doce como mel do cacaueiro.
Tudo que ficou:
Sabor ilusório de chocolate e o ácido caramboleiro.
Quero que ela seja feliz
Todos os dias.

Ela se assemelha a tudo o que é belo e complexo
Mas sua beleza é singular.
Confronta a natureza de uma forma humilde, modesta e inocente.
E floresce com esmero ao eclodir risos ou orvalhar-se.
Ela é suave...

Suave como uma sombra perene que o vento areja
Mas tem a luz do sol no olhar.
Pousada para o meu descanso
Acalanto para o meu desassossego
Néctar inebriante que me acalma e mata a sede
Brisa de cachoeira e, ao mesmo tempo, oceano tempestuoso...
Quero que ela seja feliz
muito feliz
Todos os dias
Estável.

Que cuide bem das suas pétalas e seus espinhos...
Mas meu coração não suporta mais sangrar nessa transfusão de seivas de venenoso perfume.
Desejo paz.
De coração pra coração.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Ela _ Machado de Assis

Nunca vi, — não sei se existe
Uma deidade tão bela,
Que tenha uns olhos brilhantes
Como são os olhos dela!
F. G. BRAGA

Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor.
Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!
Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.
Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um — sim —
Pr’a alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
Faz-lhe gozar teu portento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!”

domingo, 2 de março de 2014

Somos todos iguais



Somos todos iguais.

Eu trabalho muito, me canso.
Eu como, durmo, sonho...
Vou a lugares que nunca vi _ acho até que nem existem _ mas que eu os conheço bem.
Eu ando, passeio, tropeço às vezes, às vezes xingo, solto pum, descanso.
Às veze eu rio.

Eu sou como todo mundo, por que não chorar?
Mas chorar não compensa.
Chorar reduz o tempo de vida.
E a vida é tão curta!

Mas às vezes eu choro.
Choro às escondidas, mas eu choro.
Eu passo as vistas no jornal, ouço notícia, vejo coisas... aí, eu choro.

Mas a gente deve sempre chorar às escondidas, pois o mundo não perdoa os fracos,
e chorar, dizem os loucos, é o maior sinal de fraqueza.
E o mundo, você sabe, pertence aos loucos.

Outro dia, um Senhor deu uma missão a um homem, seu filho, e o enviou para que salvasse o mundo, implantando na terra um reinado onde imperasse somente a paz e o amor. Nós O crucificamos. E o pior, no mundo, ele se sentira desamparado e traído pelo Pai que o enviara. Mas amou o mundo, o homem, e as coisas do mundo, e tomou para si as dores do mundo...
E o mundo se viciara em mortes, em guerras, e as guerras tornaram-se solução. E a paz e o amor tornaram-se utopia...
É por isso que eu rio quando choro, o mundo pertence aos loucos.

Mas o homem se cansou da terra,
Criou uma máquina e se mandou pra lua.
Mas achou a lua terra inóspita, então ela servirá apenas de estalagem para que possam ir mais além. Vão para marte, e depois, num alberguezinho bem ao lado de marte, planejarão a estratégia para ir, ir, ir... Para onde?
Do que fogem?
Será que temem o dia em que o filho dará as mãos ao Pai e Este veja as marcas da crucificação?

Quão tolos são os homens! Chegam à quase inocentes.
Mas no julgamento não há meio termo, ou se é réu ou se é vítima.
E todos nós somos iguais!...

Um momento, ouviu isso?
É a trombeta-do-juízo-final.
Agora todos nós ficaremos de joelhos, postados, de braços abertos como em crucificamento.
Talvez ainda dê tempo de pedir perdão.

Você tem coragem de chorar?