Jogaram
na privada
A
linha quatro do metrô;
Não
cabia tanta merda
O
buraco se zangou.
O buraco fingiu sono
O buraco fingiu fome
O buraco fingiu luxo
O buraco fingiu tudo.
O buraco fingiu.
O buraco fingiu fome
O buraco fingiu luxo
O buraco fingiu tudo.
O buraco fingiu.
O buraco crescia e ninguém via.
O buraco tava com fome
O buraco engoliu o lixo
O buraco engoliu o pombo
O buraco engoliu homem.
O homem tava no buraco
O homem tava com fome.
O buraco tava com fome
O buraco engoliu o lixo
O buraco engoliu o pombo
O buraco engoliu homem.
O homem tava no buraco
O homem tava com fome.
Ninguém
via o crescer o buraco da fome?
Ninguém via o buraco comendo homem?
Ninguém via o buraco comendo homem?
E
o homem do buraco alimentado à fome?
E
a fome comendo o homem?
Comendo
a fome do homem.
O
buraco engoliu rua
Engoliu carros
Engoliu o homem _ homem trabalhador.
Engoliu carros
Engoliu o homem _ homem trabalhador.
Engoliu
a grávida, o tio, o avô
Engoliu trator
Engoliu
tudo:
O
cego, o surdo
Até
o criado-mudo.
Escapou
o monstro.
O
monstro é cria de Personas
Tubarões, donos, sócios e fiscais,
Tubarões, donos, sócios e fiscais,
Outros
são peixes pequenos
São
meros animais.
O
buraco ainda faz vítimas
Fizera
naquela sexta sete vítimas fatais,
Mas
aos olhos da justiça não há culpado
O
que houve foi má sorte, pois,
Várias
faces tem a morte
Entre
elas fenômenos naturais.
Ademais,
nem tudo na vida tem final feliz
Cada
família que chore os seus
Se
quiser achar culpado, disse o juiz,
Ponha
mais essa na conta de Deus.
O
buraco engoliu o bicho.
O
buraco engoliu o homem.
É
o buraco da corrupção.
Ainda
tá engolindo gente
Tem
uma fome de leão.
É
buraco da propina engolindo o cidadão
É
o buraco do metrô, buraco do Tatuzão.
Eita
buraco feio;
Eita buraco do cão!