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sábado, 21 de setembro de 2013

Almas e flores

Nós

Andamos no mesmo jardim
Tocamos nas mesmas flores.
Nós nos acariciamos
Nós nos abraçamos
De mãos dadas, entrelaçados,
Percorremos juntos por esse canteiro.

Nosso olhar, borboletas aos pares, revoando...
Nossas almas enamorando-se.

Um perfume doce, suave, sopra os meus sentidos...
Teu hálito, entorpecendo minhas asas.
Eu balanço, paro, cedo;


E a vida, então, se reproduz no movimento do beijo.

sábado, 10 de agosto de 2013

Natureza soturna

Abraçara-me, primeiro com os olhos _ luz divina _, depois com abraços e, sabe-se lá quais, pensamentos. E oferecendo-me os lábios à espera do melhor beijo acomodara-me no colo aconchegante. Oferecera-me os belos seios como fosse eu tua criança. Dera-me tudo, sem restrições, e com carinho alimentava-nos de esperanças.

Esperança que jorrava da tu'alma purificadora _ fonte cristalina.  Eu, ambicioso e cruel, lhe abria o coração a verbos defectivos  causativos e anômalos _ navalha afiada, essa língua impiedosa, sem compaixão. Palavras silentes que rasgam, rasgam, rasgam...

Alimentei teus sonhos, despretensiosamente te cobrindo de ilusões...

Devias ter-me deixado à míngua, morrer de ansiedade, me negando o nécta da felicidade. Não, não devias imortalizar-me como fizera. Pobreza e desamparo, e o manjar místico de quimeras às almas soturnas. Amaste até minha excêntrica soturnidade. Por isso, mais e mais te admiro: tens uma maliciosa ingenuidade.

Por isso, e muito mais. Mas que amigo! bem mais, tu sabes, bem mais. Mais que amante... Dois bobos em humílima disposição para o espanto e encantamento.

Vampiro. Eu vampiro, tu borboleta. Tendo a nosso dispor a boceta de pandora e o brinquedo, onde encerra todos os males, contudo, igualmente a única cura.

O lado negro da magia sobrepõe-se à beleza singela da inocência _ essa borboleta dos lamaçais pós-chuva de verão. Devias ter-me deixado ao vento, vagando nos céus, nu de estrelas; devias. Ambos admirando a lua, inexistentes. Mas o homem pertence à vida, assim como a vida ao homem.

Todos dizem "eu te amo" ultimamente; eu não, não mais. Mas teu olhar clínico o percebe: amor oculto _ nunca secreto _ de vampiro faminto, indolente, indiscreto, de alma obscura. Uma poça para o teu breve voejo.

É pena que tu sejas sol, e a vida fizera-me de natureza soturna. Um eclipse, talvez, o tempo que a felicidade perdure.

Texto extraído do livro "Um Minuto, Por Favor!", em fase de conclusão. 

terça-feira, 9 de julho de 2013

Compreendendo o amor

Espalhei pétalas de rosa sobre a cama
Deixei champagne no gelo 
Usei o melhor perfume 
E até decorei um verso do seu poema favorito, e agora o leio: 
"o amor é fogo que arde..."
E à meia luz, ouvindo uma música suave esperei, esperei... e você não veio.
A mesa ainda está posta, a cama feita;
E, admito: “a poesia é algo belo, ao mesmo tempo íntimo e alheio”. 

E pesando sua ausência e refletindo seu valor percebo:   
"amor é fogo que arde sem se ver", e não queima;
É fome e é banquete; 

E que essa saudade é falta do que se tem, 
Não do que se perdeu; 
Saudade é falta da presença que, 
Embora distante do seu riso, do seu brilho...
O, você, amor se faz presente não quando mais quero, e sim, 
Sempre e quando mais preciso.
É isso.

E enquanto te espero...

Um pouco de Camões:

"Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?"
 
Luís de Camões