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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Protesto


Ativistas do bem, Movimento Humanistas, Democrático, Meio Ambiente, Passe Livre,... Todos os manifestantes que reivindicam por direito e justiça, bem-vindos. 

Luta interminável! É preciso ter espírito de guerreiro gigante. E como se tornar um gigante lutador? 

Somos forjados a isso no árduo exercício da sobrevivência. Invejo esses manifestantes que se expõem aos perigos à margem dessa democracia enganosa, protetora do capitalismo. Invejo os militantes políticos que se vestem da causa partidária, em defesa de utópicas ideologias que ocultam em si os verdadeiros ideais dos dirigentes que, na sua grande maioria, não tem escrúpulos. Esses manifestantes são soldados de linha de frente, levados a abrir caminho, confundir o opositor, distrair a grande massa e lutarem contra fantasmas até a morte... Muitas vezes lutamos contra nós mesmos. Um e outro podem se tornar mártir, no máximo. Mas tenho uma pontinha de inveja, confesso. Invejo-os, e sou a favor de todo e qualquer tipo de manifestação por justiça social. 

Uma atitude em prol de um objetivo, por mais simples que seja, é digna de respeito. Mas em toda atitude corre-se o risco da decepção. Porém nenhum prazer se iguala à satisfação de se sentir vivo, útil e notado. Quisera eu ter uma atitude revolucionária. Quisera preocupar o senado, cassar os bens aos corruptos, ameaçar os gringos exploradores da mão de obra barata que alimentam a miséria que engorda seus lucros. Ah, quisera! Queria muito soltar meu grito. Quem me dera trinta segundos; pelo menos para contestar Arnaldo Jabor que, diante de milhões de telespectadores, menosprezou nossa sensibilidade. Outro dia, não consegui me atentar ao fim do Jornal da Globo depois que tal comentarista vomitou seu desprezo na cara dos brasileiros, chamando-os vândalos, arruaceiros de classe média, que faziam vandalismo por míseros vinte centavos. Inacreditável tamanha ignorância e falta de competência! Incapaz de ver além do gesto. Mostrou-nos, em poucos segundos, como nós brasileiros legítimos somos ignorados. Naquele momento o escritor, cineasta, e principalmente o jornalista-comentarista, manchou sua imagem como homem. Fiquei indignado. Perdi um ídolo. 

Temos que nos tornar gigantes e sacudir o mundo. Como? 
Formando um corpo de milhões de cérebros com o olhar focado num só horizonte: o futuro do Brasil e dos brasileiros.

Mas atenção! sem violência. Denunciem os vândalos e se afastem deles.
Ah, um detalhe importante: a voz precisa de um corpo, portanto, um grito político precisa de um corpo político. Sejamos flexíveis e racionais e aceitemos o apoio dos partidos, das organizações religiosas e de todas as classes sociais. Isso será fundamental para tirarmos a máscara do senado e do congresso. No ninho da serpente se abriga a corrupção. Nosso campo é a rua e nossa arma é a união. 

Vamos dar um vassoura para a presidenta?
Só assim um presidente será capaz de governar.

domingo, 16 de junho de 2013

A alma humana é porca como um ânus

A alma humana é porca como um ânus
E a Vantagem dos caralhos pesa em muitas imaginações.
Meu coração desgosta-se de tudo com uma náusea do estômago.
A Távola Redonda foi vendida a peso,
E a biografia do Rei Artur, um galante escreveu-a.
Mas a sucata da cavalaria ainda reina nessas almas, como um perfil distante.
Está frio.
Ponho sobre os ombros o capote que me lembra um xaile —
O xaile que minha tia me punha aos ombros na infância.
Mas os ombros da minha infância sumiram-se antes para dentro dos meus ombros.
E o meu coração da infância sumiu-se antes para dentro do meu coração.
Sim, está frio...
Está frio em tudo que sou, está frio...
Minhas próprias ideias têm frio, como gente velha...
E o frio que eu tenho das minhas ideias terem frio é mais frio do que elas.
Engelho o capote à minha volta...
O Universo da gente... a gente... as pessoas todas!...
A multiplicidade da humanidade misturada
Sim, aquilo a que chamam a vida, como se só houvesse outros e estrelas...
Sim, a vida...
Meus ombros descaem tanto que o capote resvala...
Querem comentário melhor? Puxo-me para cima o capote.
Ah, parte a cara à vida!
Levanta-te com estrondo no sossego de ti!

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Grato

(Em homenagem a Luciana, meu amor)


Poetray

Grato! Por enxugar-me o pranto com o calor deste sorriso
e amenizar minha dor com este olhar de ternura e brilho 
cujos raios minh'alma aquecem; 
pois viver é isso, 
e muitas vezes, isso, agente esquece.

Vaguei pela escuridão sem nenhuma esperança 
_ e sem vontade de tê-las_, 
confesso: vagueei até encontrar-te; 
e ao vê-la, fui resgatado e liberto 
e novamente posto, deste lado oposto, 
sob tua face _ meu céu de estrelas.

Grato! Pela vida que se ilumina. 
Inda dói, perturba certa angustia no peito, 
_ mas nenhum receio que oprima _, 
é que o passado nunca é desfeito 
e cicatrizes são lembranças, essas não tem jeito, 
só o tempo cura certos males e seus efeitos.

Doce, doce, doce!... 
Água e fonte, perfume do campo 
brisa;
minha flor...
Grato, por enxugar meu pranto!


Itapevi-SP 12/06/13