Meus livros

BannerFans.com

domingo, 9 de junho de 2013

Efeito dominó

Poetray

Sinto-me meio zonzo esta manhã. Acho que são os efeitos das notícias; todas as manchetes dos jornais televisivos hoje são desanimadoras e intragáveis. Não as citarei, pois são corriqueiras; exceto a vitória do Brasil sobre a França. Um placar expressivo.

Meu café da manhã tem sabor de chocolate, embora seja muito amargo o valor. O leite, o pão, o achocolatado dão à vida um belo sabor. Mas falta sucrílhos _ a marca que a criançada adora _, porque custam os olhos da cara. Queijo e frutas na mesa, nem se fala, já se tornou coisa rara.

Eu brinco com a colherzinha enquanto misturo o pó ao leite e penso na economia. O barulho irrita a mulher. E não, eu não sou economista nem tenho economias; o contrário é o que é.

A cabeça dói. Falta-me estômago para as injustiças. Ainda não inventaram “Engov” para alterar certa natureza psíquica.

Eu pago impostos sobre tudo que consumo. Pago pela escravidão, produtos e insumos. Eu pago para ser brasileiro. Pago pelo que fui e o que somos...


Chego à janela porque ouço cantar o bem-te-vi. “Cerração baixa, sol que racha”, o dia mostra a face de luz. Eu calço o tênis, me benzo, tranco a porta e caminho para a cruz.

Sombras

Sabe esses dias de inverno incrivelmente bonitos?
Desde manhãzinha o sol brilha. Poucos blocos de nuvens alvas dispersas sob o manto azul...
E aquela expectativa de ver "Ela"; aquela pessoa especial que é ainda mais bela que todo o esplêndido conjunto de encantos da natureza que adorna o dia. Mas no decorrer das horas, embora o dia permaneça lindo, vai dominando agente aquela sensação de que não vai acabar bem, algo ruim vai acontecer.

Aconteceu. Seis de junho, hoje, ano 2013, foi assim: Vivi a magia do sonho algumas horas do dia, e findou com a negritude da realidade envolvente da noite.
Mas, na verdade, há três dias já vinha sentindo um crescente pressentimento de ameaça de descontentamento e, nesse dia, eu sabia que seria o pico, o dia fatal da decepção.

Quando já se está esperando uma decepção ela não falha e sempre vem acompanhada. A tristeza é visita que não se atrasa, se é convidada comparece. Nunca é tão grave por já não ser total surpresa, absolutamente; mas parece que a vida ironicamente se reparte para lançar sobre sua cabeça uma chuva de descontentamento, em pancadas, de tempo em tempo, todo o dia, intercalando a cada despertar de um devaneio. Sim, quando se está amando se devaneia sempre, apesar das chuvas, apesar do tempo.

Pois bem, no fim do dia acabou o mistério. O tempo se estabilizou sombrio, e, dentro de mim, tempestuoso. Eu a vi com outro. Mas a natureza é sábia ao reger nossas vidas, tudo se renova independente das condições do tempo, dos pressentimentos e fantasias. Vale. Um novo amanhecer é sempre um desafio e recompensa.