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quarta-feira, 20 de março de 2013

Sobre o mundo hoje


O mundo nunca esteve tão conturbado, tão carente; confuso.
As pessoas precisam de autoafirmação.
Como se não bastasse a velha dúvida:
O que somos? De onde viemos? Pra onde vamos?
Não agimos. E se agimos não nos conformamos.
Nada nos alivia.
Apesar da tecnologia nada supre o conforto real de outra companhia.
O mundo anda carente. Muito deprimido, e por isso deprimente. Doente.
Andamos na contramão.

Todos carentes de atenção.
Carentes.
Doentes de autoafirmação.
Dodói.
Sofrendo do coração.

domingo, 17 de março de 2013

Como um dia de domingo


Ainda me lembro do amor
De quando o vi pela primeira vez
Era uma tarde de quinta
Que em domingo se fez.

O dia estava lindo
_ sol e brisa _
Num declínio lento lento
Embora caísse uma garoazinha
E o guarda-chuva voara ao vento.

Ouvimos jazz.
Todo o silencio soava como um hino
E o nosso olhar pasmo refletindo
Via no outro
Uma tarde de domingo.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Uma mulher


E outra vez me vem o jovem petulante me arranca a máscara e me atira, na cara, a realidade.
Não posso repreendê-lo. Não assim, diante da vida que se renova e me sorri.
_ Não é isso que sonhas, Rai, nas horas mortas?
Seja esse o trem que o atropele ou o mar no qual em pensamento tantas vezes te afogas.
Vai! Se atire desse penhasco e descubras o que existe além do escuro desse tenebroso abismo. Afinal, ela é apenas uma mulher! Humanos sentem as mesmas dores, o que muda são caras e bocas; máscaras. Todos se maquilam para disfarçar uma tristeza.
            Ela tem olhos de rubi, penetram minh’alma. Lindos! Mas há certa tristeza perturbadora; um vazio iluminado por uma ternura sem cores. Como um jardim sem flores no outono, só folhas se desprendem, e o vento se vai sem o melhor perfume...
Ah, essa mania de ver um traço de tristeza em toda beleza! O belo só é belo pelo enigma do seu abstrato. Mas posso ver uma alma inquieta pedindo socorro em meio àquele esplendor enigmático. Será que ama? Será que é amada?
            A hora perigosa tornar-se-á mais suportável tendo um sonho a sonhar, um abismo desconhecido entre o nada e o improvável. Talvez não seja intransponível; Talvez, quem sabe, um labirinto de flores e exótico perfume. Seja como for, faça-o sua utopia e se entregue novamente ao gozo de viver.
            Mova-se, vamos, ela não te vê! O minério é imperceptível encoberto pela poeira ressequida; uma estrela não reluz se não vencer o espaço escuro, o sol só se põe pela vaidade de se ressurgir;  Portanto vá, agora, e exiba-se como raio e trovão. E se essa tal eletricidade que pressentes seja a energia do amor...
Feche os olhos para os conceitos, pois, só o amor é real, o resto é mito; bem sabes.
Nem pense nisso! Ela nem te conhece; e tu mal conheces a ti mesmo. Talvez ela o queira; talvez seja ela... Ela. E tu de sapo torna-se príncipe.
Bom, nem tanto; mas um duende aventureiro sobrevivente na terra dos esquecidos.
Deus meu, como ela é linda!...