E outra vez me vem o jovem petulante me arranca a máscara e
me atira, na cara, a realidade.
Não posso repreendê-lo. Não assim, diante da vida que se
renova e me sorri.
_ Não é isso que sonhas, Rai, nas horas mortas?
Seja esse o trem que o atropele ou o mar no qual em
pensamento tantas vezes te afogas.
Vai! Se atire desse penhasco e descubras o que existe além
do escuro desse tenebroso abismo. Afinal, ela é apenas uma mulher! Humanos
sentem as mesmas dores, o que muda são caras e bocas; máscaras. Todos se
maquilam para disfarçar uma tristeza.
Ela tem
olhos de rubi, penetram minh’alma. Lindos! Mas há certa tristeza perturbadora;
um vazio iluminado por uma ternura sem cores. Como um jardim sem flores no
outono, só folhas se desprendem, e o vento se vai sem o melhor perfume...
Ah, essa mania de ver um traço de tristeza em toda beleza! O
belo só é belo pelo enigma do seu abstrato. Mas posso ver uma alma inquieta
pedindo socorro em meio àquele esplendor enigmático. Será que ama? Será que é
amada?
A hora
perigosa tornar-se-á mais suportável tendo um sonho a sonhar, um abismo
desconhecido entre o nada e o improvável. Talvez não seja intransponível; Talvez,
quem sabe, um labirinto de flores e exótico perfume. Seja como for, faça-o sua
utopia e se entregue novamente ao gozo de viver.
Mova-se,
vamos, ela não te vê! O minério é imperceptível encoberto pela poeira
ressequida; uma estrela não reluz se não vencer o espaço escuro, o sol só se
põe pela vaidade de se ressurgir;
Portanto vá, agora, e exiba-se como raio e trovão. E se essa tal
eletricidade que pressentes seja a energia do amor...
Feche os olhos para os conceitos, pois, só o amor é real, o
resto é mito; bem sabes.
Nem pense nisso! Ela nem te conhece; e tu mal conheces a ti
mesmo. Talvez ela o queira; talvez seja ela... Ela. E tu de sapo torna-se
príncipe.
Bom, nem tanto; mas um duende aventureiro sobrevivente na
terra dos esquecidos.
Deus meu, como ela é linda!...
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