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domingo, 4 de janeiro de 2015

Eu decidi mudar e sofri muito com isso


Eu decidi mudar e sofri muito com isso.
No primeiro dia acordei mais cedo.
Rezei ainda na cama, porque pensei que Deus merece exclusividade.
Tomei meu café da manhã sentado à mesa.
Andei na ponta dos pés até ao quarto das crianças e fiquei um tempo, ali, as admirando.
Sangue do meu sangue...
Dei um beijo na esposa e desejei a ela bom dia, embora a gente tivesse brigado.
Estava decidido a mudar, então, dali por diante tudo deveria ser diferente.

Surpreendi meu vizinho ao parar e cumprimentá-lo com um sorriso e um aperto de mão.
Sua esposa _ que acha que sou metido _, sorriu ao meu gesto cavalheiro.
O Rex, seu vira-lata, não latiu, apenas abanou o rabo.
O gato branco e preto, garboso, não desceu do muro.
O colibri permaneceu com a língua comprida enfiada dentro da flor vermelha.
Percebi que havia flores nesse jardim.
E se eu posso oferecer flores, por que oferecer espinhos?
E se espinhos forem necessários, que seja,
Que se vá espinhos, mas sempre junto com flores.

Cheguei ao trabalho distribuindo sorrisos e cumprimentos.
Utilizei como nunca a ferramenta gentileza.
Elogiei o trabalho dos meus companheiros
_ e os elogios eram justos _
Agradeci-lhes pela disponibilidade
E tive um prazer que há muito não sentia ao cumprir meu ofício;
Tanto que, no fim do dia nem sentia o costumeiro cansaço.

De volta pra casa ainda estava disposto.
Brinquei com as crianças;
Dialoguei com a mulher e entendi a esposa,
Mas ainda tinha dúvidas quanto a quem era quem naquele momento.
E vi que embora ainda nos amássemos, meu coração já pertencia à outra.
Mas isso eu não admiti, a covardia comum aos homens ainda prevalecia.
Ninguém muda, assim completamente, em apenas um dia.

Falei com Deus antes de dormir e tive bons sonhos.
E Deus me mostrou que em nada eu havia mudado
Mas que, sim, eu estava voltando ao que devia ser;
O que era antes.

No dia seguinte eu daria um passo importante:
Arriscaria andar do outro lado da rua.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ano Novo


"Abri as portas da gailoa e libertei o meu amor, por isso eu canto..."
Bom dia!
Bom dia sol!
Bom dia, dia!
Encare o ano como uma criança recém-nascida. Não, não é você a criança, criança é o ano que hoje vive o seu primeiro dia.
Dê a ele as boas vindas. Emocione-se se ele chorar ou sorrir. A criança é inocente, nunca indiferente e, além do mais, ela se espelha na vida para evoluir-se. Você é a referência, é o modelo, é o espelho, é o mestre e o guia. A criança precisa de amparo para caminhar. A criança, tempo, caminha para servi-lo. Ela sabe _ e você sabe _ que ela também será o seu guia. E ela precisa de amparo para proporcionar a você todas as emoções e prazeres da vida. O que você quiser a criança corre e cria. O que você desejar a criança providencia. O que você quer?
Aproveite que a madrugada é fria. Aproveite a manhã que o ar bom, é puro, é o primeiro hálito do dia. O que você quer? Saúde, paz, alegria? Faça seu pedido. Dê a ele a receita e com mãos Divinas a criança carinhosamente providencia; e juntos, seus espíritos então, como uma só alma alimentar-se-ão com o dia. O que você quer?
Se você é egoísta, ofereça à criança o que deseja tomar de volta no fim do dia.
Mas se você é altruísta basta seguir em frente estudando, em vigília, zelando e contemplando a vista.

Aproveite que o tempo é bom. Um anjo, que conhece o tempo e gerencia as horas é que anuncia: aproveite agora, hoje, o instante da sua estadia;
Seja honesto. Seja fiel à ética escolhida. Mas faça do amor a sua ética e a defenda para a sua vida.
Seja autorresponsável. Só assim o homem evolui;
Seja gentil. Gentilezas são como nuvens no céu. Como você deseja que seja o seu dia? Valorize o próximo e lhe seja grato por ele existir e proporcionar a você condições de ser quem você é ou será;
Seja dedicado. Vista a camisa da vida, da existência, do ser, e faça acontecer, além de persistir, faça tudo no limite da sua competência;
Serviço... _ sem ofensa _, você nasceu para servir. Ofereça o melhor de si, faça bem feito, compartilhe o seu dom, viva com comprometimento. Não tem jeito, não tem como fugir, esse é o seu momento.
Criança, criança!... foi um anjo quem disse: “Esse é o ano da avaliação espiritual, o primeiro dos próximos que antecedem o fim.”
Cuide-se bem! Que tal cuidarmos juntos, eu de você e você de mim?

Bom dia!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Nick e eu


Chegou a hora de assumir nosso relacionamento.
Meu amigo Nick e eu não temos medo de fogos, mas nos incomoda muito o estrondo e o destino final das bombas. É muito ruim ser o alvo, assim, involuntariamente. Por isso hoje compartilhamos o sofá. Se estivéssemos em guerra, tudo bem. Acredito que nas guerras o barulho dos tiros incomoda menos do que o silêncio absoluto. Tem silêncio que ensurdece a alma. O silêncio que antecede a morte; O silêncio de uma paixão...

Eu estou em guerra,  mas é com o coração _ conflito de amor _, a razão queima feito pólvora. O coração se comprime; e compactado o amor inflama.

Nick parece entender o que penso e respeita minha imobilidade. De vez em quando ele abraça meu pé e tenta me arrastar para fora para brincar. Mas logo desiste, cruza as patas e apoia a cabeça sobre elas. E ali fica encabulado, a discorrer sobre tudo. Às vezes ele ri ou suspira profundo. A solidão é muito ruim; nisso nós concordamos. Sei disso porque após grunhir como um porquinho, ele baixou a cabeça e ficou me espiando, cheio de manha... compaixão talvez. Então, eu escrevo mais um verso e o leio para ele. Ainda bem que temos um ao outro!...

Embora ele seja um cão, já tenha tido sarna, mije por todo canto e solte pelos, gosto dele. Eu também tenho meus defeitos: sou alérgico, pouco sociável e estou aprendendo a latir. Às vezes acho que devíamos inverter os papeis. Nick é muito amável, sabe muito bem como conquistar e é fiel. Eu não. Ele seria um bom intelectual; um sábio talvez. Eu daria um ótimo cachorro de caça ou cão-guia. Mas reconheço que livre mesmo são os vira-latas.

Essa noite de réveillon vou abraçá-lo e até deixar ele lamber meu rosto. Que extravagância!
Tudo bem, melhor não prometer nada. Pra mim as coisas não funcionam assim. Nenhum dos meus planos deu certo. Estou longe de... Não viajei... Não bebo, não fumo e, e nessas noites de barulho sofro de insônia. Acho que vou fazer pão de queijo pra mim. Ah, vou dar repolho e cenoura para o meu amigo. Ele adora!
Aí amigão, feliz ano novo!