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sábado, 28 de setembro de 2013

Os olhos ardendo de amor

Tinha os olhos ardendo de amor, o coração palpitante, e no riso meigo percebia-se nítida ansiedade. As mãos úmidas, inquietas, ora ajeitava os cabelos, ora acariciava a si mesma, enquanto mordia de leve os lábios, tendo o olhar parado em algum ponto em mim.

Impossível imaginar o que pensavas. Contudo, bem sei que lançavas uma onda poderosa, energizante, que fazia meu corpo inteiro arrepiar-se estremecido pela impetuosidade do mistério que, me atraindo, me arrastava para juntinho de ti.

Tentei resisti.

Sabia, porém, da minha fraqueza e da incapacidade de ir contra as ordens do coração; pois quando meu olhar confronta-se com os teus olhos, sempre, minha alma mergulha para dentro de ti, deixando apenas um pouco da consciência do que sou em mim, para que eu não esqueça que pertenço a ti, e que toda essência da minha alma só não me abandona para unificar-se definitivamente e eternamente na tua alma, para que não ocorra de o mundo envelhecer e se acabar sem que todos saibam o que é amor. Como os poetas filosofar-se-iam? Senão o amor, igual ao nosso _ chamas flamejantes_ o que mais inspiraria lirismo à voz da paixão? Entende o que eu digo?

Separados somos autênticos e as chamas do nosso desejo jamais se apagarão.

Que saudade! Tínhamos os olhos ardendo de amor e os caminhos inversos.

Trecho do livro: "Um minuto, por favor!"

Um poema interessante

sábado, 21 de setembro de 2013

Almas e flores

Nós

Andamos no mesmo jardim
Tocamos nas mesmas flores.
Nós nos acariciamos
Nós nos abraçamos
De mãos dadas, entrelaçados,
Percorremos juntos por esse canteiro.

Nosso olhar, borboletas aos pares, revoando...
Nossas almas enamorando-se.

Um perfume doce, suave, sopra os meus sentidos...
Teu hálito, entorpecendo minhas asas.
Eu balanço, paro, cedo;


E a vida, então, se reproduz no movimento do beijo.

sábado, 10 de agosto de 2013

Natureza soturna

Abraçara-me, primeiro com os olhos _ luz divina _, depois com abraços e, sabe-se lá quais, pensamentos. E oferecendo-me os lábios à espera do melhor beijo acomodara-me no colo aconchegante. Oferecera-me os belos seios como fosse eu tua criança. Dera-me tudo, sem restrições, e com carinho alimentava-nos de esperanças.

Esperança que jorrava da tu'alma purificadora _ fonte cristalina.  Eu, ambicioso e cruel, lhe abria o coração a verbos defectivos  causativos e anômalos _ navalha afiada, essa língua impiedosa, sem compaixão. Palavras silentes que rasgam, rasgam, rasgam...

Alimentei teus sonhos, despretensiosamente te cobrindo de ilusões...

Devias ter-me deixado à míngua, morrer de ansiedade, me negando o nécta da felicidade. Não, não devias imortalizar-me como fizera. Pobreza e desamparo, e o manjar místico de quimeras às almas soturnas. Amaste até minha excêntrica soturnidade. Por isso, mais e mais te admiro: tens uma maliciosa ingenuidade.

Por isso, e muito mais. Mas que amigo! bem mais, tu sabes, bem mais. Mais que amante... Dois bobos em humílima disposição para o espanto e encantamento.

Vampiro. Eu vampiro, tu borboleta. Tendo a nosso dispor a boceta de pandora e o brinquedo, onde encerra todos os males, contudo, igualmente a única cura.

O lado negro da magia sobrepõe-se à beleza singela da inocência _ essa borboleta dos lamaçais pós-chuva de verão. Devias ter-me deixado ao vento, vagando nos céus, nu de estrelas; devias. Ambos admirando a lua, inexistentes. Mas o homem pertence à vida, assim como a vida ao homem.

Todos dizem "eu te amo" ultimamente; eu não, não mais. Mas teu olhar clínico o percebe: amor oculto _ nunca secreto _ de vampiro faminto, indolente, indiscreto, de alma obscura. Uma poça para o teu breve voejo.

É pena que tu sejas sol, e a vida fizera-me de natureza soturna. Um eclipse, talvez, o tempo que a felicidade perdure.

Texto extraído do livro "Um Minuto, Por Favor!", em fase de conclusão.