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domingo, 14 de dezembro de 2014

Assim como falham as palavras




Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade,
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada.
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos, infância da doença.
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.
                                                      (Fernando Pessoa)

Agora eu sei

Bom, agora eu sei
porque tive sobre mim os afagos das mãos da esperança
e a luz do sol clareando os caminhos.
Agora sei
porque fui levado pela inocência a apanhar flores entre espinhos...

Porque vivi os dias mais belos na companhia de uma amiga maravilhosa
_ uma mulher linda _ que tem generosidade nas atitudes e no olhar.
Eu vivia, embora não soubesse, junto à felicidade
sob olhar luminoso de um sol cálido
que tem o sorriso como um frescor de brisa.

Agora sei o que é o amor.
E conheço do amor todos os sentidos
embora não tenha dele o fruto colhido
tampouco tenha do seu perfume usufruído
e do sabor exótico provado, divinal...
Contudo, exultou-me a vida conhecê-lo.
E ainda meu olhar e meu coração jubilam-se ao vê-lo. 
Fruto temporã
que desde a infância cobiço e minhas mãos não alcançam
que tão cedo amadureceu e tão tarde se me apresentou sua forma, sua cor, seu perfume...
e ocultou-me cruelmente o conhecer na amplitude sua beleza...
e o conceber a concepção aos sentidos toda percepção do seu sabor.

Agora crescido, engenheiro estrategista, ainda cobiço
o fruto da árvore amor;
e ainda tão debilitado e ingênuo sou
quanto a antiga criança
o velho homem, criança que errou.

Agora sei que o amor é a inocência que doma o homem;
é a caça que aprisiona o caçador.

Agora sei:
o sol é mais perfeito que o arco-íris

porque é magnífico e constante.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Sede

Numa noite dessas acordei com sede, a garganta seca, fui até a cozinha, peguei um copo de vidro transparente e o enche até a borda com o precioso líquido cristalino _ água potável...  Nessa hora pensei algo profundo _ às vezes sofro de filosofia. Eu não queria água, apenas água; eu tinha sede, muito sede, uma sede enorme de algo incomum. Sede do desconhecido que há muito é sabido. Sabe, uma sede que tira o sono.
Mas eu não sabia do que era. Eu não fazia a mínima ideia do que me provocara tanta sede.
Eu tinha muita sede.

Fui até a geladeira e me deparei com algo que me chamou a atenção. Vi no cantinho, bem lá no fundo, um champanhe que sobrara do réveillon. Ficara esquecida ali há muito tempo. Há exatamente doze meses foi a última vez que eu lhe dera atenção. Estava suada. Parecia triste. E, ao nos encararmos, tive a impressão de que ela se alegrava com a minha humilde presença. Sensibilizei-me, claro!
Enfim, depois de muito, muito tempo, eu despertava alguma reação com o meu calor humano. E por que não, prazer?