Meus livros

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domingo, 10 de fevereiro de 2019

Minas sangra


Minas sangra
A terra padece
Muito ainda tem que padecer.

A consciência é fruto delicado.
Miolo de rosa, às vezes
Morre antes de nascer.

O homem... o que é o homem?
O homem é arbusto tinhoso,
Demora florescer.

Tornara-se acre, Minas.
O cheiro, entanto, não é do ananás.
Das entranhas da terra sai lama, borra
Veneno de satanás.

Escorre da serra venosa das minas
Vida e a morte
Expurgadas com a seiva vital.
Minas, hoje, é lama infecciosa
Aonde fora fértil lamaçal.

Lama de minério, lama viscosa
Lama tóxica
É doença que vasa no quintal.

Minas, preciosa e rica,
Contaminada,
É nada.

Das entranhas expele o pus _ sabe como é?
Doença hemorrágica da ambição.
Nada sobrevive a este mal
A menos que aja de coração.

Quanto vale a vida? pergunta o poeta.
E do ventre ressequido vem o lamento, um gemido, um grito;
E no vale umedecido de lágrimas
Não, Minas, hoje, não cabe no coração.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Bromélias de Minas


Acabou-se o leito do rio
_ nosso pequeno riacho _
E lá se foram todas as bromélias
Arrastadas rio abaixo.

E o ninho de Guaxo?! Tinha filhotes.
Quem viu, viu; não os vereis jamais.

Foram levados pela enxurrada de lama
Do estrato ferroso das minas de Minas Gerais
Ai, acabou-se o leito; acabou-se o rio
Acabaram-se os quintais.

E os nossos sobreviventes
_ sim, hão de sobreviver à dor!_
Ao tocar adiante a vida, contarão histórias,
Porque uma tragédia nunca é esquecida.
Enfim, contarão histórias verídicas
Dos entes seus e de outras famílias.

E alguém há de se lembrar das bromélias
Dos beija-flores, do guaxe, dos destroços…

Será que alguém viu naquele carvalho,
Aquele dia,
Naquela manhã
As novas orquídeas?…

domingo, 27 de janeiro de 2019

Prazer e solidão


Na noite monótona de silêncio
Em que parece imóvel o tempo
E se ouve apenas a respiração
E o pensamento
É difícil conter a angústia,
Tão grande é o sofrimento de quem ama.

O coração se inflama, não cabe no peito
E não há remédio que dê jeito
De conter o desejo, a dor, e a solidão.

Cria-se e recria o ambiente perfeito
Como preparasse o leito
Sabendo tão breve o prazer
Como breve é a vida e sua ilusão.

Depois vem o vazio
Como embrulho sem conteúdo
O prazer do nada, absurdo
A queimar-se de frio

E a chama gelada murcha o coração
O alívio é adormecer
Mas logo vem amanhecer
E renova-se a aflição.