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domingo, 10 de fevereiro de 2019

Minas sangra


Minas sangra
A terra padece
Muito ainda tem que padecer.

A consciência é fruto delicado.
Miolo de rosa, às vezes
Morre antes de nascer.

O homem... o que é o homem?
O homem é arbusto tinhoso,
Demora florescer.

Tornara-se acre, Minas.
O cheiro, entanto, não é do ananás.
Das entranhas da terra sai lama, borra
Veneno de satanás.

Escorre da serra venosa das minas
Vida e a morte
Expurgadas com a seiva vital.
Minas, hoje, é lama infecciosa
Aonde fora fértil lamaçal.

Lama de minério, lama viscosa
Lama tóxica
É doença que vasa no quintal.

Minas, preciosa e rica,
Contaminada,
É nada.

Das entranhas expele o pus _ sabe como é?
Doença hemorrágica da ambição.
Nada sobrevive a este mal
A menos que aja de coração.

Quanto vale a vida? pergunta o poeta.
E do ventre ressequido vem o lamento, um gemido, um grito;
E no vale umedecido de lágrimas
Não, Minas, hoje, não cabe no coração.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A maldição do minério


Minas tornou-se um mar de lama,
Castigada pela maldição do minério.
Vale tudo nos vales de Minas, porém
Nada vivo tem valor sobre a terra.

Incêndios, tratores rasgando as serras
Causam angústia, dor, aflição de cemitério.
Aonde antes havia curió, suçuarana, quenquém
Nada canta, só tem feridas _ mazelas do império.

Ouro Preto, Itabira, Congonhas, Santana,
De belas artes barroca e contemporânea,
Guardam bons causos de poetas, nativos e doutras bandas.

Mas o retrato de Minas são os rios, serras, belas cachoeiras
_ belas estâncias _;
Entanto, de ali: Ipatinga, Brumadinho, Mariana, hoje
O cenário é de grande tragédia, pesadelo;

Aonde, antes, era humanidade, esperança, novenas _ muita reza e riqueza _,
Instalou-se a corrupção, a bolsa, a ganância, a frieza mundana
E Minas sufocada está num imenso mar de lama.

domingo, 29 de maio de 2016