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domingo, 27 de novembro de 2016

Eu gozo, tu gozas

Rasguei minhas cartas suicidas
Recolhi a corda, joguei a cadeira fora;
Pontuei com reticência a última palavra
Para que não me matem antes da hora.

Os puritanos se deleitam em mutilar desejos
Do homem
Com os quais se atormentam por não poder gozá-los
Ainda vivendo.
Mas eu me recuso a morrer antes do tempo,
Com fome
Pois quero antes deliciar do fim o orgasmo pleno .

Teus lábios, minha cereja
A língua tesa na membrana, arde
Lambe do escroto à cabeça
Igual a sorvete de chocolate.

Chupa... beija, lambe, chupa...
Esconde inteiro na boca, ansiedade louca
E a gente confunde prazer e dor
E toda angustia que o sexo oculta.

A gente se esquece enquanto se funde
O chocolate aquece e derrama igual a chantili
Eu amoleço e você amolece,
Mas o clitóris se aborrece implorando o fim.

Teus lábios, minha cereja, tudo é teu e meu,
Gozo soberano
Entrada e ceia no banquete profano
Nos leva aos céus, em doce abandono.
Mas antes, mais um deleite, beijos,
Depois sono.

Podemos ficar assim, adormecidos,
Esperando o recomeço ou novo fim.
Bom demais ejacular o orgasmo mundano,
Na cara do mundo orgulho, somos sujos,
Divinamente, porém, somos humanos.

Eu gozo, tu gozas, nós gozamos...

sábado, 26 de novembro de 2016

Tentando entender o mundo

Pra quê, pergunto eu, diante da questão aberta.
O mundo não muda.
O mundo é feio de pessoas.
Pessoas não mudam.
Nem mesmo com o poder divino dado à pessoa santa ou pessoa certa.
Mudar é transfigurar-se ou reconstituir-se.
Isso talvez doa, pois depende de mudar primeiro a si mesmo,
Pessoa por pessoa.
Mas não se muda o mundo senão pela boa vontade de todas as pessoas.
Tentar entender o mundo, por que?, bobo.
Apenas leia-o.
Observe-o e leia.
Leia-o como se o fizesse a toa.
Desde que o mundo é mundo se pensa no mundo.
E se pensa no mundo somente porque o muno é mundo,
E porque o homem é parte do mundo
E nem todo mundo cabe no mundo
Porque poucos são os que governam o mundo
Nenhuma Maria nem José,
Muito menos Raimundo.
O mundo pertence aos piratas
E estes vivem noutros mundo.
No inicio só existia o vazio
E no vazio silêncio
E do silêncio nasce a consciência
E da consciência a poesia
E a poesia tornara-se luz
E esta em sentimentos
Enfim vida, amor.
Mas o homem sufoca a tudo isso com o egoísmo.
Pela fé ou pela ambição, da na mesma, o caminho é o do hedonismo. Sempre pelo prazer carnal no corpo do fascismo.
O discurso pessimista de um pensamento não cala o homem, mas também não se dá por questão fechada. O pensamento impera por si mesmo se bem ou mal educado.
O homem sempre reluta em achar saída no escuro quando a luz é apagada. Na dor é assim e também o é no amor em pleno esplendor da sua alvorada. Entender pra quê? A vida segue alheia, indiferente a questões pensadas.

Posso entender a loucura de quem ama, mas não posso entender a obcessão dos egoístas.
Também, por mais que eu tente, não consigo entender a indiferença por quem ama manifesta por parte daquele que é amado.
Posso entender o desespero por nada ter de tudo que se quer muito, mas não posso entender o obsessivo desejo de ter aquilo que a outro pertence por direito.
A propósito, o amor que alguém sente não é direito senti-lo por quem quer que seja? Ou amar é virtude e também defeito?
O que do que sinto me pertence? O que do amor é meu?
O que de mim sou eu?
Eu entendo a mulher que se atirou da janela.
_ o marido era político? Não!?_,
Consciente do que era, nada, atirou tudo ao chão.
Há muito já estava morta a alma, apenas o corpo se espatifou no chão.
Também o fez a mulher do crápula e a amante do santo.
Muitos preferem o nada ser em meio a igual multidão.
Eu entendo o que se entorpece de drogas.
Eu entendo o que ri sem motivo de graça.
Eu entendo o que ri da própria desgraça,
Eu entendo o humorista,
O que passa a vender flores,
O que tenta cultivá-las;
Eu entendo o palhaço.
O que, por caridade, distribui abraços.
Eu entendo o bêbado, não o boêmio.
Eu entendo bem aquele que reclama da sorte
_ dependendo de como ele faz seu compêndio _,
Também entendo àquele que diz que ter um amor é um grandioso prêmio. Entendo sua inocência e falta de senso.
Entendo aquela que não acredita mais no amor, não porque não acredita, porque sei que na verdade ela perdera a esperança. Isso torna a conquista, para o amor de amanhã, num desafio maior.
O amor não tem vida fácil, principalmente se desiludido foi a pessoa qual ele ama.
E que graça teria viver o amor só descanso e cama?
Posso entendê-los a todos, mas não me entendo nem perdoo se me flagro sendo igual. O que torna uma alma especial é ela ser igualmente propensa aos erros e acertos das demais e, contudo, resistir, mesmo que doa não trair a própria consciência.
Se Deus fez tudo do nada e o deu de presente ao homem, por que o homem a tudo quer transformar em nada e devolvê-lo a Deus novamente vazio? Ademais e, porém, vazio e estragado.
Posso entender a tudo e a todos, sem exceção, menos o descaso.
Por isso entendo a ira de um deus bondoso zangado.
Posso entender o comportamento estranho de inércia física e a incessante luta mental no tudo querer e tanto sonhar e nada ter.
Entendo até os que se matam. Também os que se perdem na loucura e cometem crimes bárbaros. A vida é bárbara quando não existe harmonia; quando não existe a troca de gentilezas e a disposição para o abraço. Mas a vida também é bárbara, por excelência, pela comunhão da amizade na luta por mais espaço.
Entendo a todos. Até aos que não me entendem eu os entendo.
Só não entendo o eu que a mim me desdenha e condena tão fraco.

Até mesmo a fraqueza comum, a aparente inércia ou falta de atitude em prol do que sinto é condenável, porque eu sei de cor como devo agir, entanto, me reprimo acovardado.
Todavia, é natural que assim me atenha diante da espantosa beleza que tem o frágil ser semelhante amado.
E não oferecer ao amor abrangente solicitude é pecado mortal; por isso me sinto condenado à morte lenta do viver contemplando a vida sendo eu no amor imortal.
Beba da taça e deguste o vinho sem refletir. É assim que se vive. Só assim se é feliz.
“Sorria!” o anúncio diz.
O olhar das câmeras ainda não distingue o movimento da alma sã de uma penada.
O dia é de sol e penumbra.
No trabalho, entre os dissabores do ofício alguns caprichos do amor. Palavras.
Rimos, sim, da desgraça alheia. Ninguém é perfeito. Todos os dias, a toda hora, rimos. É que a maturidade do homem acaba refletindo nos seus sentimentos. E quanto mais o homem se perde ainda mais ele ri. O homem feliz, então, já se tornara alheio.
No amor também é assim, navega-se ansioso, porém, seguimos inconscientemente tranquilos nas ondas agitadas de um mar desconhecido. A pessoa amada peca por omissão.
Ela saberá disso? Acho que sim. Ela entende das leis.
Tento ler os jornais.
A previsão do tempo é instável.
Ignoro o horóscopo, mas não o repudio.
Tudo parece imprevisível.
Mas nota-se que tudo é previsível dentro de toda a previsibilidade.
Os holofotes se movimentam. As luzes caem sempre nos mesmos pontos obscuros, neutros, sem transparência e má claridade.
A realidade vivida é um ponto cego no tempo?
Sim, responde um pensamento, apenas para satisfazer o ego.
O Brasil está em protesto.
O mundo está em protesto.
Pelo o que protestam?
Cuba protesta.
Pelo que protestam?
Ai, meu Deus, é muito protesto!
As formigas protestam.
As abelhas estão em protesto.
As borboletas da minha rua estão em protesto;
Os pássaros também estão.
Os pombos, os beija-flores, as mariposas, as libélulas, os mosquitos...
_ o Aedes Aegypti não _,
Mas as joaninhas desapareceram.
Os pardais sumiram. Foram embora?
As mulheres do meu tempo, as musas, se foram...
A todos eles eu entendo;
A eles sim, eu os perdoo.
O sentido da nossa permanência não é o jardim, são as flores e frutos e o que deles está por vir.
Tudo está se acabando, por isso os entendo perdoo.
Mas ao homem eu não o perdoo.
Enquanto observador eu lerei as pessoas e ao mundo.
E quando eu não for mais gente, humano, vingarei com a minha ausência de alma humana.
Todavia, ausência não significa silêncio.
Do jardim que cultivamos nada restará, nem flores nem espinhos.

De humano talvez restem palavras.
Algumas palavras.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

O buraco do metrô

Jogaram na privada
A linha quatro do metrô;
Não cabia tanta merda
O buraco se zangou.
O buraco fingiu sono
O buraco fingiu fome
O buraco fingiu luxo
O buraco fingiu tudo.
O buraco fingiu. 
O buraco crescia e ninguém via.
O buraco tava com fome
O buraco engoliu o lixo
O buraco engoliu o pombo
O buraco engoliu homem.
O homem tava no buraco
O homem tava com fome.
Ninguém via o crescer o buraco da fome?
Ninguém via o buraco comendo homem?
E o homem do buraco alimentado à fome?
E a fome comendo o homem?
Comendo a fome do homem.
O buraco engoliu rua
Engoliu carros
Engoliu o homem _ homem trabalhador.
Engoliu a grávida, o tio, o avô
 Engoliu trator
Engoliu tudo:
O cego, o surdo
Até o criado-mudo.
Escapou o monstro.
O monstro é cria de Personas
Tubarões, donos,  sócios e fiscais,
Outros são peixes pequenos
São meros animais.
O buraco ainda faz vítimas
Fizera naquela sexta sete vítimas fatais,
Mas aos olhos da justiça não há culpado
O que houve foi má sorte, pois,
Várias faces tem a morte
Entre elas fenômenos naturais.
Ademais, nem tudo na vida tem final feliz
Cada família que chore os seus
Se quiser achar culpado, disse o juiz,
Ponha mais essa na conta de Deus.
O buraco engoliu o bicho.
O buraco engoliu o homem.
É o buraco da corrupção.
Ainda tá engolindo gente
Tem uma fome de leão.
É buraco da propina engolindo o cidadão
É o buraco do metrô, buraco do Tatuzão.
Eita buraco feio;
Eita buraco do cão!