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quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ressaca de alegria

Apelidaram-me de estraga prazer. Já faz alguns anos, como reagi todo nervosinho, o apelido pegou. O motivo?
Por um longo período me fiz essa pergunta e, procurando respostas, cheguei à conclusão de que eles estão certos e eu, contudo, fiquei ainda mais chato. É que tenho a desagradável mania de falar a verdade e não ceder a opiniões se realmente os argumentos não forem relevantes e convincentes. É, defendo meu ponto de vista até o fim, às vezes, ou melhor, sempre pago caro por isso.
Dessa vez foi o bendito comentário sobre a alegria das festas de fim de ano. Que infeliz opinião a minha! Sabe, hora errada, lugar errado e com pessoas erradas; pessoas que se ofendem e são do contra só para se colocarem em destaque? Porém dizem que eu é que sou do contra. Compram, com o menosprezo dos outros, um lugar na primeira fila no espetáculo da amizade e pagam ou oferecem como alegria aos seus ídolos os defeitos dos outros, com piadas e puxa-saquismo. Bem aquele tipo: o chefe abre a boca e ele já ri. Nos ambientes corporativos isso até que é compreensivo. Mas nas festas de confraternização ou entre família?! Ah, dá um tempo, né!?
Ah, sim! Claro, eu conto; eu conto. O que aconteceu dessa vez foi o seguinte: Entre risos e abraços e beijos, a galera, a meu ver, disputavam quem era o mais querido. Nessa disputa pelo primeiro lugar contavam vantagem, uma piada, ou contavam um feito muito interessante _ extravagante, eu diria. Todos eram super-heróis, demais. Coitado de mim, eu sou um humilde observador, me sentindo perdido por saber que comparado a eles, sou nada especial. Mas alguém me intima, medindo-me rapidinho dos pés à cabeça, com certo desprezo, e me põem na roda.
_ Fala aí, meu, o que você acha?
_ Eu diria que podemos classificar certas datas como sendo o dia da falsa amizade. Todo mundo se abraça, se beija, diz o quanto admira e até que ama, mas não sustentam essa verdade nem por 24 horas. Aliás, no dia seguinte acordam com o espírito de ressaca. O coração dói, o arrependimento sangra o coração, e já evitam olhar nos olhos dos “amigos” de ontem. E pensam, com um nó na garganta: “Caramba! Eu abracei fulano; aquele idiota! Não suporto ele.”
É, eu sou mesmo um chato, um estraga prazer. Sou ou não sou? Mas, tudo bem; aprendo a conviver com isso.
E no Brasil, temos muitas datas que nos provoca ressaca de alegria: Confraternização, Natal, réveillon, carnaval...
Ah, só mais uma coisa, eu tive um amor e com ele eu esperava um fim de ano diferente. Não rolou. Será que por isso fiquei assim?
Mas e você, tá com essa cara por quê?

            Bom, de coração, Feliz Natal!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Assim como falham as palavras




Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade,
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada.
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos, infância da doença.
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.
                                                      (Fernando Pessoa)

Agora eu sei

Bom, agora eu sei
porque tive sobre mim os afagos das mãos da esperança
e a luz do sol clareando os caminhos.
Agora sei
porque fui levado pela inocência a apanhar flores entre espinhos...

Porque vivi os dias mais belos na companhia de uma amiga maravilhosa
_ uma mulher linda _ que tem generosidade nas atitudes e no olhar.
Eu vivia, embora não soubesse, junto à felicidade
sob olhar luminoso de um sol cálido
que tem o sorriso como um frescor de brisa.

Agora sei o que é o amor.
E conheço do amor todos os sentidos
embora não tenha dele o fruto colhido
tampouco tenha do seu perfume usufruído
e do sabor exótico provado, divinal...
Contudo, exultou-me a vida conhecê-lo.
E ainda meu olhar e meu coração jubilam-se ao vê-lo. 
Fruto temporã
que desde a infância cobiço e minhas mãos não alcançam
que tão cedo amadureceu e tão tarde se me apresentou sua forma, sua cor, seu perfume...
e ocultou-me cruelmente o conhecer na amplitude sua beleza...
e o conceber a concepção aos sentidos toda percepção do seu sabor.

Agora crescido, engenheiro estrategista, ainda cobiço
o fruto da árvore amor;
e ainda tão debilitado e ingênuo sou
quanto a antiga criança
o velho homem, criança que errou.

Agora sei que o amor é a inocência que doma o homem;
é a caça que aprisiona o caçador.

Agora sei:
o sol é mais perfeito que o arco-íris

porque é magnífico e constante.