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domingo, 28 de dezembro de 2014

Não é conselho, é observação




Ninguém, em sã consciência, jamais deveria dizer: perdi meu tempo.

Eu pensei ter perdido meu tempo e ele, o tempo, severamente se manifestou em mim.
Aí sim, eu me perdi no tempo.

Eu pensei que era perda de tempo, o amor.
Depois, eu pensei estar perdido de amor enquanto o amor se manifestava em mim.
Por isso o amor castigou-me.
Fui punido pelo amor e pelo tempo.
Ora, eu estava amando!
Ninguém, ninguém se perdi por amar;
Pelo contrário, no amor é que a gente se encontra.
Ah, mas eu amei. Como amei!
Amei tanto que perdi a noção do tempo.
E acredite: amar é um delicioso exercício.
O amor nos mantém em completo movimento. De corpo e alma.

Viver é estar em constante movimento, e amor nos põe em movimento para viver.
O amor nos deixa em completa harmonia com a natureza.
Nada que se faça é em vão, exceto ficar em inércia.
A inércia, sim, é perda de tempo.

Quando eu corri, corri, corri tanto e mesmo assim perdi o ônibus, fiz uma nova amizade.
Estudei pra caramba, mas fiquei de DP;
Aí eu prendi em uma semana o que eu achava impossível.
Trabalhei muito e não fui recompensado. Mas adquiri experiência.
Quis morrer, mas aprendi muito ao questionar a vida.
Reverti o desencanto e venci a depressão.
O meu hobby patético tornou-se um livro interessante;
Da minha história triste fiz um lindo poema de amor.
Saí pra andar à toa e tive uma ideia brilhante.

Nada que se faça em vida é em vão.
Depois da morte eu não sei. Mas pensar nisso também não é perda de tempo.
Não existe tempo perdido. O que acontece é tempo mal gasto, mal vivido;
Exercício mal feito;
Indecisão na encruzilhada _ Ser ou Não Ser.
Falta de fé;
Falta de dedicação ao ofício de viver.
Pense nisso.

Feliz 2015!

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Tentação


Hoje em dia...
É fácil entrar no mundo das contravenções. Nessa época de festança, então!...
Ufa! O natal passou. Mas vem aí o ano novo.
Nessa época você recebe velhos amigos, ou antigos colegas e parentes, e eles ficam avaliando seu barraco, medindo você e seu espírito _ como se tivessem capacidade pra isso. Muitos, mal conseguem suportar um sopro mais forte de brisa. Tremer-se-iam.

Bem, contam uma vantagem aqui, outra sobre o modismo, e por aí vai. Depois o assunto são os bens: casa, economia, rendas, carros _ ai, meu Deus! _ carro é demais; quando começam falar de carros... Ninguém merece!
_ E você, que carro tem?
_ Não tenho.
_ Por quê?
_ Prefiro transporte público. Gosto de andar de trem.
   E olha para as pessoas ao redor e diz: "Ele sempre foi brincalhão assim. E meio estranho também, não é verdade?".
Os outros riem.
_ Então tem viajado muito, né? Quando foi à Europa?
_ Nunca.
_ Quando voltou a Minas.
_ Faz tempo.
_ Praia?
_ Tenho trabalhado muito.

A visita, fingindo desconforto, então, olha em volta e encerra o interrogatório com a pergunta fatal:
  _ Pra quê?
  E metendo a mão no bolso, pega o Smart chic e começa a exibir fotos de viagens, hotéis, aeroportos e carros.
Você que não tem nem um jerico amarrado no quintal pensa o quanto seria útil um."poiszé" que o levasse correndo atrás daquele sorriso lindo, que está ausente, e que ilumina a sua vida; mas, pelas suas condições, essa pessoa o trocou por outro, justo nessa época festiva. Que coisa, não?!

Generosamente sua visita te oferece um cartão ou recomenda alguém, oferece um estranho emprego, como se recomendasse a um médico e terapeuta. Mas você precisa mesmo é de exorcismo. Isso mesmo. Aquele sorriso que ilumina a sua vida.
Então você quase engasga, mas engole a saliva.
  _ Gente, eu estou bem!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ressaca de alegria

Apelidaram-me de estraga prazer. Já faz alguns anos, como reagi todo nervosinho, o apelido pegou. O motivo?
Por um longo período me fiz essa pergunta e, procurando respostas, cheguei à conclusão de que eles estão certos e eu, contudo, fiquei ainda mais chato. É que tenho a desagradável mania de falar a verdade e não ceder a opiniões se realmente os argumentos não forem relevantes e convincentes. É, defendo meu ponto de vista até o fim, às vezes, ou melhor, sempre pago caro por isso.
Dessa vez foi o bendito comentário sobre a alegria das festas de fim de ano. Que infeliz opinião a minha! Sabe, hora errada, lugar errado e com pessoas erradas; pessoas que se ofendem e são do contra só para se colocarem em destaque? Porém dizem que eu é que sou do contra. Compram, com o menosprezo dos outros, um lugar na primeira fila no espetáculo da amizade e pagam ou oferecem como alegria aos seus ídolos os defeitos dos outros, com piadas e puxa-saquismo. Bem aquele tipo: o chefe abre a boca e ele já ri. Nos ambientes corporativos isso até que é compreensivo. Mas nas festas de confraternização ou entre família?! Ah, dá um tempo, né!?
Ah, sim! Claro, eu conto; eu conto. O que aconteceu dessa vez foi o seguinte: Entre risos e abraços e beijos, a galera, a meu ver, disputavam quem era o mais querido. Nessa disputa pelo primeiro lugar contavam vantagem, uma piada, ou contavam um feito muito interessante _ extravagante, eu diria. Todos eram super-heróis, demais. Coitado de mim, eu sou um humilde observador, me sentindo perdido por saber que comparado a eles, sou nada especial. Mas alguém me intima, medindo-me rapidinho dos pés à cabeça, com certo desprezo, e me põem na roda.
_ Fala aí, meu, o que você acha?
_ Eu diria que podemos classificar certas datas como sendo o dia da falsa amizade. Todo mundo se abraça, se beija, diz o quanto admira e até que ama, mas não sustentam essa verdade nem por 24 horas. Aliás, no dia seguinte acordam com o espírito de ressaca. O coração dói, o arrependimento sangra o coração, e já evitam olhar nos olhos dos “amigos” de ontem. E pensam, com um nó na garganta: “Caramba! Eu abracei fulano; aquele idiota! Não suporto ele.”
É, eu sou mesmo um chato, um estraga prazer. Sou ou não sou? Mas, tudo bem; aprendo a conviver com isso.
E no Brasil, temos muitas datas que nos provoca ressaca de alegria: Confraternização, Natal, réveillon, carnaval...
Ah, só mais uma coisa, eu tive um amor e com ele eu esperava um fim de ano diferente. Não rolou. Será que por isso fiquei assim?
Mas e você, tá com essa cara por quê?

            Bom, de coração, Feliz Natal!