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sábado, 5 de janeiro de 2019

O que fazer do amor


O que fazer do amor quando,
não correspondido, incomoda;
incompreendido,
julgam-no errôneo, insano.
é nada;
apesar de belo, assusta;
temido é, sem o ser nocivo,
entretanto, teme que cause danos.
E ele salta,
vira e revira, desavessa alma,
contorce, dança, palmeia
como pulga bailarina, minhoca,
no palco-abismo rasteja
à própria sorte?

Tão imenso, visto à sombra
Tão nobre, de decoro, uma muralha invisível
que, à meia-luz, tanto agrada quanto assombra
almas pequeninas
tal fantasma deixando a cruz!

Ribombo
no peito o gongo cala.
Infinitamente morre.
Eternamente vaga
lume
espirando luz.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Pores do sol


Sinto-me mais enfraquecido a cada pôr do sol.
Quisera eu o sincronismo do pensar, sentir, e viver.
Mas não sou tão forte quanto imaginava ser.

Embora certas manhãs eu acorde bem-disposto
A minha alma enfraquece ao longo do dia, morre
Morre um pouco a cada sol-posto.

Morre um pouco.
Minh’alma,
Morre ao entardecer.
De que outra forma seria
Acaso, sem poente, o sol voltaria nascer?

Morre. Morro.
Morre a alma,
Morro o corpo.
Sou um e outro; tudo
Um pouco.

Não sei bem quem ou que eu sou
Sou o que sinto
Muito sinto do que vejo
Ali estou.

Vejo muita coisa invisível
Todavia tangível estou
Quando, tanto quanto visível
Porque vejo e sinto.

Por isso sofro
E muitos eu sofre em mim
Porquanto, hei-me pouco inteiro

No fim tudo é começo
_ isso porque sou otimista.
Sem destruir sonhos, contudo
Morre homem, sonhador, alquimista.,,

Pores de sol e novo amanhecer,
Acaso, sem poente, o sol voltaria nascer?

domingo, 30 de dezembro de 2018

O ator e cena


Silêncio
Cai a cortina
Primeiro ato
O palco se ilumina.

Você tem pressa
O tempo parece curto
Mas, calma, é suficiente.

Não resuma,
Envolva-se, se entregue
Primeiro, se autodefina-se.
Seja breve e eficiente.

O palco se move.
Entretanto, cenário parece permanente.
O drama é análogo, monólogo,
Todavia envolve muita gente.

Não desperdice energia
Moralize-se, realize-se
Justifique a tua estadia.

Seja humano, verdadeiro, faça um brinde, viva!
Beba teu cálice inteiro.
O que há? sabe-se lá!
Licor, cicuta, mate, néctar ervas finas...
Ninguém sabe o fim do ato
Ou quando se cerrará a cortina.

De improviso virá a partida.
Daí, reticências
Próximo ato, mistério,
Outra vida.