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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Pores do sol


Sinto-me mais enfraquecido a cada pôr do sol.
Quisera eu o sincronismo do pensar, sentir, e viver.
Mas não sou tão forte quanto imaginava ser.

Embora certas manhãs eu acorde bem-disposto
A minha alma enfraquece ao longo do dia, morre
Morre um pouco a cada sol-posto.

Morre um pouco.
Minh’alma,
Morre ao entardecer.
De que outra forma seria
Acaso, sem poente, o sol voltaria nascer?

Morre. Morro.
Morre a alma,
Morro o corpo.
Sou um e outro; tudo
Um pouco.

Não sei bem quem ou que eu sou
Sou o que sinto
Muito sinto do que vejo
Ali estou.

Vejo muita coisa invisível
Todavia tangível estou
Quando, tanto quanto visível
Porque vejo e sinto.

Por isso sofro
E muitos eu sofre em mim
Porquanto, hei-me pouco inteiro

No fim tudo é começo
_ isso porque sou otimista.
Sem destruir sonhos, contudo
Morre homem, sonhador, alquimista.,,

Pores de sol e novo amanhecer,
Acaso, sem poente, o sol voltaria nascer?

domingo, 30 de dezembro de 2018

O ator e cena


Silêncio
Cai a cortina
Primeiro ato
O palco se ilumina.

Você tem pressa
O tempo parece curto
Mas, calma, é suficiente.

Não resuma,
Envolva-se, se entregue
Primeiro, se autodefina-se.
Seja breve e eficiente.

O palco se move.
Entretanto, cenário parece permanente.
O drama é análogo, monólogo,
Todavia envolve muita gente.

Não desperdice energia
Moralize-se, realize-se
Justifique a tua estadia.

Seja humano, verdadeiro, faça um brinde, viva!
Beba teu cálice inteiro.
O que há? sabe-se lá!
Licor, cicuta, mate, néctar ervas finas...
Ninguém sabe o fim do ato
Ou quando se cerrará a cortina.

De improviso virá a partida.
Daí, reticências
Próximo ato, mistério,
Outra vida.

Bon Voyage

Antes que a porta se feche, escolha um caminho.
Converse com Deus, faça uma prece
Construa seu destino.

Acredite, você merece.
É abençoado.
Foi escolhido para um reinado.

São dois caminhos para o amanhã:
Um deles oferece armas
O outro pão.

Se houver conflito, que seja entre sensibilidade e razão.

O mundo precisa de paz!
_ talvez reclame o coração.
Rumo à paz sempre haverá dor
_ talvez te golpeie impassível razão.

Dois instrumentos levam à paz:
Armas e pão. Então escolha
Morte culposa ou aflição.

O caminho para o amanhã é só de ida.
Do hoje só se leva o que de ontem ficou
E o que agora se constrói, evidente.
O que se faz hoje é colheita,
Também é para o futuro
Semente.

O que cabe na bagagem? Tudo.
Ideias, instrumentos, parafuso...
Mas tudo isso, concreto e abstrato, é peso
Pura ilusão.
O que se busca é o que se leva;
Ou seja,
O que já existe no coração.

O que trazes na tua mochila de conflitos?
Antes de partir revise, feche o zíper, confira o bolso.
Não corra! Logo saberá porquê.

O dia é sempre nascente e sol-posto
Assim também a gente passa pela terra.

Mas para hoje não se volta
Ao passar deste a vida encerra
Fecha-se a porta.


Bon voyage!