Você corre, corre
E nem sabe pra onde.
Corre, corre
Não sabe porque
Corre apenas
Corre e se cansa,
sabe
Não sabe correr.
Apenas corre, não;
Você luta.
Você é forte,
valente.
Luta.
Rói unha, range os
dentes.
Você luta.
Luta por quem?
Por quê?
Luta por causa?
Sabe, não sabe.
O coração já
reclama
Há indícios
E você acelera, vai
É vício.
Mas você é
responsável
Honra seus
compromissos
É honesto.
Você só não é
esperto.
Nunca foi.
Decerto
Você é solidário
É solitário;
Talvez seja
admirável.
Mas não é
admirado;
Se é não sabe, não
vê,
É demais ocupado
Precisa correr.
Acaso haverá alguém
que te ama?
Ilude-se, sim.
Ai você diz: tudo a
seu tempo.
Mas você não se dá
tempo.
Devia ao menos
dizer,
de vez em quando,
Eu te amo.
A ampulheta não
detém os grânulos
No fim, acelera-se e
rareia.
A vida, meu caro,
escoa-se
É tempo que se
conta na veia.