Meus livros

BannerFans.com

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Deus Poeta

Se o universo é um gigantesco ser vivo, penso,
Somos as células das suas entranhas;
E se Deus é engenheiro, matemático, também é Ele artista-poeta,
Para colorir com tanto esmero as ilusões, a vida, tardes, noites e manhãs...


Talvez o universo seja sua aquarela, um longo poema;
Talvez o mundo seja um poema.
Talvez sejamos poemas...
Quão belo poema é a vida?!


Ah, nenhum sábio, tal Deus o é, desprezaria sequer um verbo dos seus versos, das estrofes da vida, nenhum pingo dos seus is tirar-se-ia.
Apagaria sim, pontos e vírgulas, para aperfeiçoar as emoções e com amor maior suavizar a trilha sonora da alma, música da vida.
E se Ele, o poeta, tem um livro,
Cuja página do amanhã ainda esteja virgem, certamente, nele imprimiu uma estrela e a ela dera teu nome, e, com respingos da tinta sagrada criou também um homem, um pequeno ser, frágil coração, cujo destino é amar-te, contemplar-te, como faz a Ele os anjos.
Se o universo é um gigantesco ser vivo, penso, quão poderoso e sublime é o Criador, que projetou tudo e organizara num único e imenso arquivo; e nesse arquivo pusera galáxias e seus tempos, e para cada tempo escrevera tantas vidas num só livro... e caprichosamente quis no mesmo caminho você é eu.

domingo, 11 de junho de 2017

Recado

Podemos ser feliz sem pudor.
Por que impor limites aos benefícios da alma?
Amor _ se é amor _, não tem limites;
Não admite restrições;
Aprovação ou protesto, tanto faz.
Amor _ se é amor _ desconhece aflição ou calma.
Por que amor _ se é amor _, quando se manifesta, é festa.
É simplesmente amor. Nada mais.
Rompe a escuridão por uma fresta
E faz do suplício da guerra, a paz.
Porém, o amor vive intensamente todas as estações da alma.
Cria para si, em si mesmo, o tempo;
Cura ferida e traumas;
Assiste a ti mesmo, conforta-se, encalma.
O inverno é cruel para a alma que sofre solidão.
E a solidão é a pior estação.
Esta pode durar o ano inteiro;
Às vezes faz-se inverno em pleno verão.
A alma sonhadora vaga, rasteja
O ser noctâmbulo, assobia
Agudo chamado da morte
E a vida responde, aonde andas?
Tu, destino ou sorte.
Longe da esperança, senti grande solidão.
Longe do amor, senti grande solidão.
Hoje tudo é vulto,
Solidão e amor, vedes vós, oculto.

sábado, 27 de maio de 2017

Aqui, agora

Enquanto caem as folhas e o sol passeia
Tudo parece sereno,
Até os pensamentos e a melancolia;
Coisas de nós se vão ao vento
Mas algo fica anuviando a face,
Inflamando as veias.

Da minha janela, da minha aldeia,
Tudo parece sereno,
Até os pensamentos e a melancolia
_ a saudade traz e leva... _,
Como reflexo de ouro na areia.

Parecem lágrimas celestes,
Dourados raios perfurando a teia,
Como chuva prateada contorcendo os vãos entre folhas dos arvoredos;
Assim como minhas entranhas se contorcem em dor difusa.
Todo o corpo é ferida viva, é medo;
Grito mudo, lamento de chuva,
Gotas de orvalho a inundar aldeia.

O que de sagrado sopra e ao outono incendeia?!
Saudades...
O doce amargo, beleza triste...
Verso sereno que o pássaro gorjeia.