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domingo, 5 de fevereiro de 2017

O sábado

O sábado acordou-me cedo.
A manhã não menos e nem mais bonita, embora o céu tivesse nuvens coloridas, o que é raro naquele ponto antes de clarear o dia.
Mas isso corroborou para o provérbio que diz que a beleza está nos olhar da alma que a admira.

Á noite o homem tivera pesadelos e instantes de premunições. Sentia-se angustiado. Assim seria o dia, o sábado e o domingo talvez. Talvez a semana...
Mas o homem humilde vive de apelos e seu melhor apelo é a ilusão. Aquela esperança irreal, porque viver não é fácil, é dolorido e cansativo quando se tem muitos sonhos e poucos caminhos. O simples fato de estar vivo já é um grande milagre.

Pensei na pessoa amada, como sempre, antes mesmo de abrir os olhos.
O pássaro não veio cantar na milha janela. Seria mau augúrio?
Não, o homem de fé só dá crédito aos bons presságios. O dia seria de duas partes: pela manhã trabalho e uma longa espera; mas à tarde, o fim do dia seria de amor, e a noite de sonhos.

Ontem...
O suor escorria pelo rosto como sangue destilado.

O sal ardia nos olhos, e num raro e breve descanso cristalizavam-se nos poros e no tecido do uniforme cinza e azul.
O corpo todo dolorido. O relógio se arrastava lento, prolongando os minutos. Mas na terra, aonde caiam gotas de pensamento nasciam flores. Era a esperança de uma tarde feliz, o que não aconteceu plenamente, mas a ilusão ajuda o homem a suportar as dores do momento e a encarar o futuro.

Aí está a graça da vida, na superação. Cada respirar é um milagre, e cada milagre é uma missão cumprida. E a esperança ativa é a porção mágica que nos dá força para seguir em frente.

Então viva. Viva e seja grato; viva e tenha fé.


O amor voou como o pássaro das minhas manhãs.
Mas a vida gira em círculo, como uma ciranda alegre ou triste, e sempre vêm com uma nova cantiga e cores novas no ressurgir das estações.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Clície

A flor menina...
Dá-me sempre um iluminado sorriso
E o esplendor diminuto se expande como sol,
Põe cores novas no universo antigo
E sem prévio aviso se inclina como girassol.

É sempre assim, plena de meiguice
Qual natureza de Clície
Um angelical amanhecer na face da mulher mais linda
Que encanta ao homem pela beleza singela,
Corpo de mulher-menina,
Cujo semblante é meu céu sublime
Pois, cativa minha alma o equilíbrio,
Mas tem ainda o brilho da alegria e paz equânime

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O despertar

Não importa a cor do pássaro e sim o seu canto.

Antes de abrir os olhos ainda ouvia o silêncio como uma voz harmoniosa dentro mim juntando-se a outras vozes em coro, o que eu entendia ser o som do cosmos.
E veio um movimento seguido de um som externo, do homem, e me despertou.
Ainda antes de abrir os olhos ouvi ruídos. E veio o primeiro pensamento: a imagem dela, o seu nome, a lembrança luminosa do sorriso, da voz soando como doce melodia.
A vida se iluminou. A vontade de vida correndo pelas veias como energia quente que acelera o coração.
Aí veio o som exterior, compromissos, o ruído do homem. E outros pensamentos ocuparam o vazio que não era vazio; era espaço essencial para que houvesse harmonia.
E eu abri os olhos, não obstante via bem menos que antes. Nada.
E de olhos abertos orei. Deixei água cair nas mãos em concha e depois banhei o rosto. Quase reconheci a imagem do espelho. Concentrada, quase carrancuda, casmurro, forçando um sorriso que não vingou.
Aí um pássaro cantou na janela.
Fui abri-la. E sem sentir os meus passos movi a persiana.
A ave replicou o canto. O sol invadiu a casa. Então percebi o sentido da vida.

Que seja esse o canto da manhã. Paz!