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domingo, 15 de janeiro de 2017

Do Fundo do Meu Coração






Marisa Monte

O Sorriso e o Bom Dia


Antes da saudação sempre compartilhamos o sorriso
E a tua luz ilumina o Bom Dia.
Eu sei que esse é um ritual sagrado de evocação de Deus, e Ele, Deus, sempre se manifesta instantâneo, pois,
Nesse instante podemos sentir a sua presença divina.

Eu gostaria que o nosso abraço não se desfizesse tão depressa,
Que ele durasse tempo suficiente para a satisfação do abraço,
E quando terminasse, espontaneamente, e o nosso olhar sorrisse um para o outro, fosse esse sorriso, dos teus olhos para os meus olhos, a continuação do abraço;
E a gente permanecesse assim, de mãos dadas, como num abraço infinito, até que outros gestos de outras vontades solicitasse a sua vez, tudo naturalmente.
Assim seria a vontade do amor agindo em nós.
Assim seria, realmente, Bom dia!
 Hoje, deixe que o amor abrace a quem você ama, sem pressa,
E se você sentir que é amado, seja generoso.
Não apresse o tempo; não acelere a vida; respeite o compasso e a natureza de todas as coisas.
Tudo está em movimento constante e em alternada aceleração;
Tudo vibra;
Nada está parado;
Tudo tem o seu ritmo.
O amor também é assim,
Um universo dentro de um universo em movimento.
Eu vi gotas de orvalho brilhando nas pétalas da flor
E a minha alma aspirou o perfume que desperta a fome,
E a vontade de viver se despertou em mim.
Agora, meu amor, o sorriso e a luz nos mostra o caminho;
Temos apenas que ouvir o coração, pois o divino habita em nós.


domingo, 8 de janeiro de 2017

Coisas suburbanas

(Do livro "Só para os íntimos", por Poetray, em breve no Agbook)

No dia seguinte eu fiquei só com os meus pensamentos. Quando o ônibus deu partida ela ainda não havia chegado. Após a primeira curva eu a avistei vindo apressada, mas estava longe. Havia outras mulheres, tão bonita quanto, bem pertinho de mim, embora atraentes não vi nada que inspirasse nenhuma sacanagem. Uma até invadiu meu pequeno espaço entre os bancos. Mas o pensamento na lembrança da mulher ausente predominou.
Dois dias depois, numa sexta feira, ela entrou no ônibus e ficou exatamente encostada em mim, esfregando a xoxota no meu ombro. Titubeie no que fazer. Ofereci o lugar.
_ Sente-se, por favor.
_ Obrigado _ Ela sorriu lindamente _, eu estou bem.
Ofereci-me para segurar a bolsa. Era cara, de marca, couro legítimo. Deixei a bolsa no colo, o que foi muito útil para esconder a manifestação do garotinho querendo saltar para fora. E a blusa que ela trazia no braço escondia o meu ombro encaixado entre as suas coxas. Parecia estratégia. Juro que em pouco tempo senti cheiro forte, adocicado, de mel e flores ao sol. Ao olhar para cima, para iniciar uma conversa duradoura, ela mordeu os lábios e fechou os olhos. Fiquei sem palavras. Meu ombro começou dar fortes impulsos, como se tivesse levando choque, como se soluçasse. Eu também fechei os olhos. Concentrei-me no perfume. Flores do campo. O garotinho remexendo dentro das calças se enforcava num pentelho. Tão desastrado, o pobrezinho.
_ Hei, acorde _ ela disse, me alisando os cabelos e pegando a bolsa _ chegamos.
_ Nossa! Tão rápido né?
_ É verdade, que pena.