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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Tentação


Hoje em dia...
É fácil entrar no mundo das contravenções. Nessa época de festança, então!...
Ufa! O natal passou. Mas vem aí o ano novo.
Nessa época você recebe velhos amigos, ou antigos colegas e parentes, e eles ficam avaliando seu barraco, medindo você e seu espírito _ como se tivessem capacidade pra isso. Muitos, mal conseguem suportar um sopro mais forte de brisa. Tremer-se-iam.

Bem, contam uma vantagem aqui, outra sobre o modismo, e por aí vai. Depois o assunto são os bens: casa, economia, rendas, carros _ ai, meu Deus! _ carro é demais; quando começam falar de carros... Ninguém merece!
_ E você, que carro tem?
_ Não tenho.
_ Por quê?
_ Prefiro transporte público. Gosto de andar de trem.
   E olha para as pessoas ao redor e diz: "Ele sempre foi brincalhão assim. E meio estranho também, não é verdade?".
Os outros riem.
_ Então tem viajado muito, né? Quando foi à Europa?
_ Nunca.
_ Quando voltou a Minas.
_ Faz tempo.
_ Praia?
_ Tenho trabalhado muito.

A visita, fingindo desconforto, então, olha em volta e encerra o interrogatório com a pergunta fatal:
  _ Pra quê?
  E metendo a mão no bolso, pega o Smart chic e começa a exibir fotos de viagens, hotéis, aeroportos e carros.
Você que não tem nem um jerico amarrado no quintal pensa o quanto seria útil um."poiszé" que o levasse correndo atrás daquele sorriso lindo, que está ausente, e que ilumina a sua vida; mas, pelas suas condições, essa pessoa o trocou por outro, justo nessa época festiva. Que coisa, não?!

Generosamente sua visita te oferece um cartão ou recomenda alguém, oferece um estranho emprego, como se recomendasse a um médico e terapeuta. Mas você precisa mesmo é de exorcismo. Isso mesmo. Aquele sorriso que ilumina a sua vida.
Então você quase engasga, mas engole a saliva.
  _ Gente, eu estou bem!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Ressaca de alegria

Apelidaram-me de estraga prazer. Já faz alguns anos, como reagi todo nervosinho, o apelido pegou. O motivo?
Por um longo período me fiz essa pergunta e, procurando respostas, cheguei à conclusão de que eles estão certos e eu, contudo, fiquei ainda mais chato. É que tenho a desagradável mania de falar a verdade e não ceder a opiniões se realmente os argumentos não forem relevantes e convincentes. É, defendo meu ponto de vista até o fim, às vezes, ou melhor, sempre pago caro por isso.
Dessa vez foi o bendito comentário sobre a alegria das festas de fim de ano. Que infeliz opinião a minha! Sabe, hora errada, lugar errado e com pessoas erradas; pessoas que se ofendem e são do contra só para se colocarem em destaque? Porém dizem que eu é que sou do contra. Compram, com o menosprezo dos outros, um lugar na primeira fila no espetáculo da amizade e pagam ou oferecem como alegria aos seus ídolos os defeitos dos outros, com piadas e puxa-saquismo. Bem aquele tipo: o chefe abre a boca e ele já ri. Nos ambientes corporativos isso até que é compreensivo. Mas nas festas de confraternização ou entre família?! Ah, dá um tempo, né!?
Ah, sim! Claro, eu conto; eu conto. O que aconteceu dessa vez foi o seguinte: Entre risos e abraços e beijos, a galera, a meu ver, disputavam quem era o mais querido. Nessa disputa pelo primeiro lugar contavam vantagem, uma piada, ou contavam um feito muito interessante _ extravagante, eu diria. Todos eram super-heróis, demais. Coitado de mim, eu sou um humilde observador, me sentindo perdido por saber que comparado a eles, sou nada especial. Mas alguém me intima, medindo-me rapidinho dos pés à cabeça, com certo desprezo, e me põem na roda.
_ Fala aí, meu, o que você acha?
_ Eu diria que podemos classificar certas datas como sendo o dia da falsa amizade. Todo mundo se abraça, se beija, diz o quanto admira e até que ama, mas não sustentam essa verdade nem por 24 horas. Aliás, no dia seguinte acordam com o espírito de ressaca. O coração dói, o arrependimento sangra o coração, e já evitam olhar nos olhos dos “amigos” de ontem. E pensam, com um nó na garganta: “Caramba! Eu abracei fulano; aquele idiota! Não suporto ele.”
É, eu sou mesmo um chato, um estraga prazer. Sou ou não sou? Mas, tudo bem; aprendo a conviver com isso.
E no Brasil, temos muitas datas que nos provoca ressaca de alegria: Confraternização, Natal, réveillon, carnaval...
Ah, só mais uma coisa, eu tive um amor e com ele eu esperava um fim de ano diferente. Não rolou. Será que por isso fiquei assim?
Mas e você, tá com essa cara por quê?

            Bom, de coração, Feliz Natal!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Assim como falham as palavras




Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento,
Assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade,
Mas, como a realidade pensada não é a dita mas a pensada.
Assim a mesma dita realidade existe, não o ser pensada.
Assim tudo o que existe, simplesmente existe.
O resto é uma espécie de sono que temos, infância da doença.
Uma velhice que nos acompanha desde a infância da doença.
                                                      (Fernando Pessoa)