Itapevi, primeiro de inverno de 2013;
A maldição se repete:
A solidão se apresenta a mim, através de uma mensagem de
texto, SMS.
Sinto um arrepio percorrer meu corpo inteiro.
É o primeiro presságio; o primeiro sintoma de abandono.
O anjo, amante-amigo, se transforma em fera indomável,
enfurecida.
Ela foi se afastando aos poucos, de mansinho, como mãe
desmamando seu filho, e se rebelou.
Sabe da minha dependência dos seus carinhos.
Sabe que na altitude a que fui levado pelo amor não saberei
como prosseguir e não terei como me estabilizar.
E em queda livre não restara homem, muito menos forças pra
recomeçar no amor.
Agora me cobra uma decisão e atitudes que não posso tomar.
As reivindicações são justas, porém não depende somente da minha
vontade concedê-la. É o fim.
Eu tinha esperança de que ela repensasse. Eu a propus que
reconsiderasse.
Eu estipulei um tempo pra que ela pensasse. Mas, pelo jeito,
já era caso pensado.
Acho que o maior erro do homem é se precipitar ao dizer que
ama; igualmente, ou erro maior talvez seja tardar tanto e não dizer "Eu te
amo!".
Ficou o beijo; a lembrança do calor latente do sexo; a
palavra amiga; os sonhos...
Até o último instante do dia eu esperei que ela voltasse...
e ainda espero.
Então poderia dizer: Eu te amo! E num momento de êxtase ela
também diga: Você é o meu homem.
Mas, por enquanto, tenho a maldição do inverno: a solidão.
É o fim.
